Assim como a valorização do retrô expresso na tendência vintage e da aplicação de cores fortes e contrastes trazida pelo color blocking, o conceito high-low também surgiu nas passarelas e ganhou espaço em projetos de arquitetura e decoração. Caracterizado pela mescla de estilos, nele o equilíbrio é a palavra-chave para o bom resultado. A decoração com esse conceito segue a tendência contemporânea da moda de misturar peças básicas e baratas com outras mais sofisticadas ou detalhes de design.
“Peças high são aquelas com alto valor agregado, como produtos de design assinados e obras de arte”, explica a arquiteta Marina Dubal. Já as peças low fazem um contraponto a esse aspecto sofisticado, pois são básicas e complementam o espaço. “Estas podem ser garimpadas em antiquários, ferros-velhos, supermercados, ou seja, são exatamente aqueles objetos que não damos valor quando estão isolados, mas que em conjunto com outros móveis podem dar charme e personalidade ao ambiente, criando um clima irreverente”, comenta Marina.
O decorador Alberto Radespiel conta que o high-low vem marcar os anos 1990 e, na passarela, chegou misturando peças básicas com sofisticadas. “Como uma blusa bordada em pedrarias usada com uma calça jeans desbotada. Daí surgiu também na decoração essa tendência, que permanece de forma viva.”
Nesse conceito ou estilo, o decorador explica que os ambientes são compostos por formas, texturas, cores, épocas e preços que têm contrastes entre si. No high-low, materiais opostos conversam muito bem entre si. “Arrisco dizer que, no bom sentido ‘do lixo ao luxo’, podemos compor espaços belíssimos. Móveis e objetos clássicos, designs assinados e obras de arte em composições com elementos populares, simples e de baixo custo”, indica Alberto Radespiel.
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| O decorador Alberto Radespiel diz que no high-low materiais opostos precisam conversar entre si para garantir a beleza do ambiente. Planejar é fundamental |
A arquiteta Milene Donato confirma que a decoração high-low consiste na mistura de peças sofisticadas e tecnológicas com peças populares e reaproveitadas. “O high é traduzido por elementos caros e chiques, geralmente de design e obras de arte. Já o low identifica as peças baratas e simples, vêm de lojas populares, do artesanato, de objetos e móveis usados, além daqueles objetos que ganham novas funções (aros de bicicletas que se transformam em pés de mesa, lustres feitos de cestos etc.)”
De acordo com a arquiteta, essa mistura de estilos, de forma equilibrada, pode imprimir muita personalidade a um ambiente. “Todos nós temos um lado high e outro low que pode ser reconhecido. E por que não aproveitá-los na decoração de casa? Aplicar objetos que aqueçam a alma de seus proprietários, coisas que revelem a história dessa família, que as façam se reconhecer neles e que contem a trajetória desses moradores é fundamental”, avalia Milene Donato.
CORES A decoradora Raquel Brum diz que o high-low mistura estilos como vintage, unindo peças com mix de cores às mais simples ou clássicas, sempre com equilíbrio, para obter um bom resultado. Assim, peças assinadas por artistas renomados, mescladas com outras simples do cotidiano ou pontuadas com cores vivas, trazem o conceito das passarelas para casa. Para isso, vale percorrer de galerias de arte a brechós. Assim, é possível ter, lado a lado, uma poltrona de design com uma mesa de madeira rústica, um sofá de veludo clássico junto a um banco de madeira de demolição, conforme Alberto Radespiel. “Não há regras. O que importa é o bom senso.”
Harmonia no ContrasteApesar de misturar peças opostas num mesmo ambiente, o conceito high-low exige muito equilíbrio na composição do projeto, para não prejudicar o resultado visual da decoração
Para escolher entre a diversidade de opções disponíveis, é preciso analisar aspectos pessoais dos moradores do imóvel, como indica a arquiteta Milene Donato. “Há projetos que remetem à história do cliente, realçando peças simples de forma autêntica. Outros são concluídos focando algum sonho de consumo. Geralmente, essas peças, de grande valor financeiro agregado, são as que primeiro são adquiridas. O fundamental é que o morador nos incite a personalizar o ambiente.”
Entre as dicas para facilitar o emprego do high-low está usar cores fortes e escuras nas paredes, como marrom, azeitona e preto, de forma a fazer um plano de fundo propício a receber objetos descolados, como informa Milene. Misturar cadeiras ou poltronas clássicas e modernas e mesclar almofadas com tecidos contrastantes são outras sugestões. “O importante é que tenha harmonia, buscando uma singularidade no resultado”, aponta a arquiteta.
De acordo com Alberto Radespiel, o que norteará as alternativas a serem utilizadas é a quem serão destinados os espaços. “Sempre lembrando que há limites. Bom senso e equilíbrio são bases para o resultado. As opções são ilimitadas, tanto para high quanto para low. É preciso um trabalho de pesquisa por entre os dois mundos, tanto de estilo como de mercado. Para que um projeto tenha um resultado feliz é necessário pesquisa.”
Para escolher entre a linha de móveis clássicos assinada por designers famosos, retrôs e esculturas ou objetos de arte, a decoradora Raquel Brum diz que é necessário conhecimento de um profissional da área. “Para saber mesclar as peças com equilíbrio para a criação de um novo espaço com decoração high-low. Os objetos mais procurados para a criação desse trabalho são mesas, cadeiras, abajures e esculturas. A escolha varia de acordo com o espaço e gosto de cada cliente.”
A arquiteta Marina Dubal diz que qualquer peça pode ser usada nesse tipo de decoração, mas cabe ao profissional captar os desejos dos moradores e transformá-los em algo criativo e diferenciado. “Balanceando detalhes com design diferenciado e valor agregado com outras simples que se harmonizam e formam um conjunto aconchegante e singular”, interpreta.
ATENÇÃO Como são encontradas em bazares, lojas de antiguidades, topa-tudo e supermercado – no caso das low – até lojas especializadas, galerias ou ainda garimpadas em viagens ou pela internet – peças high –, tudo vai depender da proposta estética e de leiaute do profissional para o espaço, conforme Marina. ”O conceito high-low é muito novo e contemporâneo. Por isso, muito cuidado ao aventurar-se em escolhas aleatórias sem acompanhamento profissional, pois a combinação pode ser desastrosa e desvalorizar o investimento nas peças de design ou na obra de arte.”
A decoradora Raquel Brum diz que os objetos mais usados no estilo high-low são mesas, cadeiras, abajures e esculturas (Eduardo Almeida/RA Studio)
A decoradora Raquel Brum diz que os objetos mais usados no estilo high-low são mesas, cadeiras, abajures e esculturas
Quanto a cores, Alberto Radespiel diz que elas são usadas de forma mais marcante no estilo color block, que também surgiu nas passarelas e ganhou espaço na decoração. “No caso do high-low, as cores conversam de forma menos exigentes, podendo ser misturadas, desde que haja equilíbrio que sempre será palavra para que haja bons resultados”, conta o decorador.
NEUTRALIDADE Já para a decoradora Raquel Brum, as paredes podem ser coloridas ou neutras. A escolha vai depender das peças empregadas para a montagem do espaço. “No high-low sobressaem cores como amarelo, vermelho ou azul. O que não pode faltar é o contraste de uma ou mais peças com diferentes estilos ou cores”, acrescenta.
Criatividade é a palavra de ordem para que esse estilo alcance os resultados esperados, conforme a arquiteta Marina Dubal. Para se fazer isso, não há uma regra com relação ao uso das cores. “Tudo depende dos objetos selecionados para compor o espaço e sua harmonização com mobiliários e cores de revestimentos.”
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| Escolha da tonalidade das paredes e do piso depende das peças usadas na montagem do espaço. No conceito, amarelo, azul e vermelho têm se sobressaído |
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