Empresas saem da sobriedade e apostam em decoração ousada para humanizar escritórios

Ambientes empresariais buscam nova identidade corporativa com projetos modernos e bem decorados

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postado em 29/01/2014 07:58 / atualizado em 28/01/2014 16:38 Lilian Monteiro /Estado de Minas
Empresas estão investindo numa nova decoração, mais ousada, colorida, com peças de design, sem desmerecer em nada o negócio - Divulgação/Jomar Bragança Empresas estão investindo numa nova decoração, mais ousada, colorida, com peças de design, sem desmerecer em nada o negócio
 
 
Ambientes sisudos, escuros e exageradamente tradicionais. Até pouco tempo atrás, tais características definiam o perfil dos escritórios. Para fortalecer a identidade corporativa, a ideia de uma decoração contida era encarada como a ideal para passar uma imagem de seriedade, confiabilidade e comprometimento. Mas agora as empresas estão investindo numa nova decoração, mais ousada, colorida, com peças de design, sem desmerecer em nada o negócio. O mundo profissional percebeu que o ambiente de trabalho bem decorado é um aliado para reforçar a marca.


A decoradora Giovana Rabelo, do escritório Giovana Rabelo Design de Interiores, explica que a mudança de postura é porque os profissionais perceberam que não há necessidade de ambientes frios, cinzentos para transmitir credibilidade, por exemplo. “Agora, eles investem em projetos que privilegiam a humanização do escritório. E as empresas já investem em leiautes que incluem espaço do café, sala de repouso, pensando no conforto e na beleza.” De acordo com ela, a decoração tem de se encaixar com o perfil de cada setor. “Fiz um projeto num galpão, com pé-direito bem alto e cara totalmente industrial. Para mudar, pintamos o piso de várias cores, com cada uma definindo um espaço. A loja, o estoque, a entrada de clientes... A proposta foi tornar o espaço mais intimista.”


Giovana destaca que a cor é a maior aposta porque interfere no objetivo e na produção dos funcionários. “Uma cliente, psicóloga, ao decorar o consultório pensou num sofá marrom e cinza. Eu disse: ‘Nossa, já vai atender casal em crise e essas cores, meu Deus, em nada ajudam!’. Vamos mudar’. A cor define o clima e o astral do ambiente.” No entanto, a decoradora enfatiza que tudo é questão de bom senso. “Não é um arco-íris. Você pode manter o mobiliário clássico e inovar na cor da parede ou do tapete. Aposte numa linha de madeira, que é quente, transmite aconchego e dar um ar de confiança, suntuosidade, força e estabilidade. É durável e resistente. O contraponto pode ser objetos de design em cima da mesa ou um gaveteiro colorido. Mistura é tudo de bom.”
 
Divulgação/Jomar Bragança
 
 
Assinatura

A arquiteta Edwiges Leal, do escritório B&L Arquitetura, enfatiza que a imagem do escritório é sua assinatura. Por isso, é preciso levar em conta cada demanda. Ou seja, qual terá tratamento conservador e qual pede despojamento. Nos dois casos há espaço para a criatividade e tudo depende do olhar profissional. “A sala do executivo de uma holding requer sobriedade, mas pode ter uma parede, uma cadeira ou uma estante que quebra a formalidade sem abrir mão da seriedade. Um espaço que vai abraçar o cliente, deixá-lo encantado, sem ser irresponsável.”

Para Edwiges, se o escritório for da área de criação, marketing e comunicação, não há por que ser conservador, mesmo porque vai limitar e enquadrar as pessoas que frequentam os ambientes. Ela conta sobre um projeto ousado de um escritório de comunicação inspirado nos mais criativos do planeta. “São ambientes sem divisórias ou com divisórias transparentes, como nas salas de reunião ou refeitórios. Usamos as cores magenta, pitanga, cereja e para contrapor, verde pistache e cítrico, amarelo, bege e o branco suave como base. A luz não é incidente, mas rebatida para o teto, como um difusor. As calhas viradas para cima dão sensação de claridade. Há área de descompressão com livros, sofás, cadeira ovo (estilo balanço). Enfim, um ambiente estimulante, jovem e aconchegante. Foi desenvolvido até um cheiro para o ambiente, o que dá personalidade.”

Edwiges lembra ainda dos home offices, já que muitos profissionais têm trabalhado em casa. “Esse espaço pede modernidade com peças inspiradoras, como objetos de arte, esculturas, livros e peças coloridas que fazem parte de uma história.”

Equilíbrio

Ellen Simões, arquiteta da empresa Capanema Gouvea Desenvolvimento Imobiliário (CGDI), concorda que essa mudança de comportamento no visual ocorre porque as empresas reconheceram que o espaço físico é uma das maneiras pelas quais elas se projetam e, por isso, é fundamental que o ambiente estabeleça um diálogo eficiente com o público interno e externo. Para ela, a “decoração tem ficado mais criativa, desinibida e com mais cores, que influenciam na atitude dos funcionários. E ainda investem em móveis de personalidade e design”.

No entanto, Ellen destaca que a decoração depende do perfil da empresa. “Escritórios de arquitetura e publicidade são mais despojados, já os de advocacia ou contabilidade, por exemplo, exigem imagem mais séria. Mas há como criar decorações atuais mantendo a sobriedade que cada área profissional requer.” Para a arquiteta, a inovação precisa ser cuidadosa. “Apesar de muitas corporações adotarem as novas mudanças, é bom deixar claro que há aqueles que valorizam o tradicional. Então, a regra é adotar o equilíbrio para não correr o risco de perder clientes.”
 
Rafael Renzo/Reprodução/Internet
 

Tags: construção

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