Mobiliário antigo pode ganhar nova roupagem e se destacar no ambiente

Móveis restaurados personalizam o ambiente, preservam lembranças familiares e garantem custo/benefício sem abrir mão do design

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postado em 28/03/2014 07:57 Lilian Monteiro /Estado de Minas
Osvaldo Castro/Divulgação
 
 
Puxadores estragados, vidros quebrados ou trincados, gavetas empenadas, pés ruins, vinil desgastado, estofamento estourado, cupins... A cada ano, o móvel antigo se torna a estrela da decoração moderna, descolada. No entanto, é legal apostar em peças com design, de madeiras fortes (geralmente são peças resistentes) e naquelas que, ao passar por uma restauração, vão ganhar vida e deixar qualquer ambiente mais bonito e destacado. Às vezes, com uma simples intervenção no ritmo do faça você mesmo é possível deixar aquela mesa de canto ou banquinho novos.

A arquiteta e designer de interiores Valéria Alves alerta para a primeira avaliação na hora de comprar um móvel para restaurar. “É fundamental olhar o estado de conservação. Nem toda recuperação vai dar conta de uma peça ‘doente’. Mas a maioria pede um cuidado simples, que qualquer pessoa, com paciência, dá conta de fazer em casa. Pintura e sobreposição de tampos em superfície lisas (vidro, plotagem, papel contact ou tecido adesivo) são ótimas opções para pequenos reparos. É possível revestir o móvel todo, apostar num detalhe, focar nas partes danificadas ou nas que quiser esconder.”

Valéria pede atenção com o tecido adesivo. É que, se for mole, para a aplicação não ficar distorcida o ideal é dublar o tecido (como se fosse entretela da roupa) para ficar mais consistente. “E os móveis de vime, que antes eram naturais e agora são sintéticos, precisam de cuidado porque o primeiro absorve a tinta e dá para criar um trabalho de pátina bonito, mas o outro não.”
 
Andressa Bonn/Divulgação
 
 
É só ter atenção e olho para escolher o móvel certo. “Peça antiga é sempre bem-vinda em qualquer época, seja apoiando o espelho no banheiro, formando um canto charmoso do quarto ou um lugar de visibilidade na sala. O que não gosto e não recomendo é descaracterizá-lo. Acredito que, por ser antigo, o móvel merece uma recuperação criteriosa, sem tanta intervenção. Principalmente os de madeira. Agora, se estiver muito maltratado, é melhor recuperá-lo da forma mais segura.” Para não errar, ela alerta: “Móveis antigos não podem brigar com o ambiente, seja época ou design. Ela cabe em qualquer lugar, mas é importante que tenha a mesma leitura e harmonia.”

Mudar a cor, pôr um revestimento diferente, dar acabamento com brilho, substituir estofados ou molas, aplicar estampa, recuperar pernas e encostos de móveis como mesas, escrivaninhas e cristaleiras são opções para ter uma peça que fará a diferença em qualquer espaço. A arquiteta Laura Santos enfatiza que o legal é mesclar peças reaproveitadas com itens modernos. “A recomposição faz diferença. O bacana de restaurar é dar outro toque na peça. Gosto de laquear porque tira a aparência de velho e valoriza ao mesmo tempo. Agora, há móveis rústicos, de demolição, que basta lixar para ganharem vida.”

Laura lembra que, para ser atual, a decoração tem de investir no contraponto de móveis antigos com elementos contemporâneos. É importante dar outro conceito à peça. “A balança é não exagerar, nem no clássico nem no moderno. O equilíbrio é a regra principal. Móvel dá aconchego e peças ricas para trabalhar como cadeiras Luís XV, banco recamier e chaises, são belos e funcionais, fogem do padrão, evitam gasto e carregam atitude sustentável. É tudo de bom.”

Osvaldo Castro/Divulgação
Arte


Em Curitiba, a Bem Dito Canto é um ateliê de restauração e personalização de móveis antigos, de acordo com o gosto do cliente, que faz sucesso pelo gosto refinado. “Em muitos casos encontramos objetos que permitem preservar as lembranças de família, infância e entes queridos. Ao mesmo tempo, trabalhamos a questão da sustentabilidade, de preservar móveis históricos e não descartá-los como lixo”, conta Andressa Bonn, artista plástica e sócia da empresa.

A cada estação a moda dita uma tendência. No caso da decoração, a restauração de móveis antigos veio para ficar, bem como os projetos de design de interiores com tendências vintage e retrô. A Bem Dito Canto oferece móveis garimpados em madeira maciça e outros materiais, além de produtos novos com design retrô. “Em 2012, depois de adquirir grande quantidade de peças únicas, começamos o trabalho de restauração e repaginação. Nossa proposta é fugir da mesmice utilizando cores vivas e alegres. Com a alta do mercado de peças com estilo vintage, restaurados e a necessidade por móveis de qualidade e maior durabilidade, começamos a produzir peças criativas e exclusivas”, diz a outra sócia, Ana Carolina Bonn. Hoje, as peças são comercializadas por meio do site www.bemditocanto.com.br para todo o Brasil.

Regras básicas:


Estrutura -
Só vale a pena restaurar o móvel se ele tiver boa estrutura. Tem cupins? A madeira é boa? Está firme? Não compre sem fazer análise criteriosa.

Custo/benefício - Se for investir, faça uma conta rápida sobre quais investimentos terá de fazer para levar a peça para sua casa. Algumas demandam apenas limpeza, outras vão exigir mais cuidados, o que sobe o preço.

Funcionalidade - A beleza tem de vir agregada com a funcionalidade, a não ser que seja uma herança e o valor sentimental vai falar mais alto. Mas analise se realmente precisa e se vai usar tal móvel.
 
Andressa Bonn/Divulgação
 

Tags: arquitetura

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