Cadeiras de balanço atravessam gerações conferindo carinho e aconchego à decoração

Desde as tradicionais, de palhinha, até as mais modernas, o móvel resiste e até ganha releituras, sem perder a função de dar afetividade ao lar

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postado em 07/08/2014 08:51 / atualizado em 06/08/2014 11:30
Jair Amaral/EM/D.A Press


O suave chacoalhar pra frente e pra trás embala encontros, conversas, cochilos e memórias – é quase impossível resistir a experimentá-lo. Um móvel associado a descanso, meditação, divertimento e prazer, a cadeira de balanço, tão antiga, é atemporal. Na decoração moderna, o modelo clássico em madeira e palhinha, que guarda a lembrança afetiva da infância na casa da vovó, persiste em belas composições, e divide espaço com as versões atualizadas em traços, cores e materiais para todos os ambientes.

De uma forma ou de outra, o convidativo ir e vir remete sempre a momentos de aconchego e doçura. O professor universitário Cristiano Machado, de 63 anos, conserva a cadeira de balanço que é herança da mãe, falecida há 14 anos. O móvel, que representa todo o carinho de uma família, tem lugar de destaque no ambiente de estar de sua casa em Lagoa Santa, na Grande BH. A cadeira evoca a saudade dos tempos de casa cheia. A imagem das reuniões dominicais com os irmãos, esposas, filhos e sobrinhos não se completa sem a matriarca sentada na cadeira, no canto da sala, participando de bate-papos animados, de vez em quando dando sua sonora risada. “Ela ficava ali, rezava, gostava muito. Hoje, na minha casa, a cadeira combinou muito bem com os outros móveis, é muito segura e confortável. A pessoa senta, relaxa, conversa. A madeira ainda está intacta, só renovamos a palhinha”, diz Cristiano.

Cristiano Machado/Arquivo Pessoal
A esteticista, designer de moda e sobrancelhas Ana Maria Garcia Amaral, de 56, é apaixonada por cadeiras de balanço desde a infância. Ela lembra das cadeiras nas fazendas dos avós maternos e paternos, diversão com os primos, na época em que não havia a distração dos aparelhos eletrônicos. “A gente sentava em dois, três, quatro, rodava, balançava até a cadeira virar, ficava preso embaixo. Era uma festa”, recorda. Há pouco mais de um ano, Ana Maria não resistiu quando viu um vendedor oferecer uma cadeira de balanço, passando na rua onde trabalhava. “As cadeiras que eram dos meus avós não estão mais conosco e essa, mesmo não sendo antiga, me traz os bons momentos de volta. É super confortável. Sento-me nela todos os dias, fico voando, viajando no tempo.”

Já na casa do sociólogo Daniel Perini e da gerente de projetos em design Flávia Siqueira, a cadeira de balanço, no melhor estilo antigo, é o cantinho especial do filho Pedro, de um ano e oito meses. O modelo Austríaca, original, foi comprado em um antiquário para ser a cadeira de amamentação, durante o planejamento do quarto para receber o primogênito. “Queria que o Pedro tivesse o seu lugar de mamar. E a cadeira é ótima, tem o encosto alto, bom para ficar com o bebê nas madrugadas, dormir com ele. Até hoje, já com a mamadeira, o Pedro pede para mamar na cadeira. E também brinca de esconder atrás da telinha, coloca os bichinhos de pelúcia para balançar. Ele adora!”, conta Flávia.

A escolha pela cadeira de balanço teve um objetivo muito claro. “Se fosse uma poltrona de amamentação comum, depois não combinaria com o resto da casa. Essa, quando sair do quarto do Pedro, vai para a sala, para uma leitura, para relaxar. Não é uma simples cadeira – vai continuar com a gente, está ao nosso lado na construção da nossa história”, acrescenta.

Eduardo Câmara/Araci Queiroz/Divulgação


Novas linhas e tramas

No intuito de equilibrar passado e presente, memória e cotidiano, o designer Jader Almeida apostou em uma linha de poltronas de balanço. Com um desenho particular, identidade marcante e atemporal, as cadeiras Euvira e Licci, assinadas por ele, não se restringem a nichos de público – agradam a todos. Lançando mão de um sofisticado jogo de cheios e vazios e um rico conjunto de detalhes, a primeira tem assento e encosto tramados por cordas de algodão ou poliéster, que resultam em visual leve e tato agradável, descreve Jader. Já a segunda é feita em metal, aço ou latão, com um delicado aplique de madeira que faz o apoio para os braços. Assento e espaldar são formados por uma peça única de couro sola que se molda ao corpo. “São poltronas que não têm o aspecto de vovó, no sentido conservador, mas da memória afetiva”, pontua.

Thonart/Divulgação
Já na Thonart, fabricante líder em mobiliário vergado, a linha de cadeiras de balanço segue os contornos tradicionais em madeira e palhinha, com os clássicos modelos Austríaca, Montreal e Thonet, além de algumas variações modernas, também em madeira encurvada, nas cadeiras Mami e Papai, esta reclinável.
Na coleção Astúrias, o Atelier Carlos Motta apresenta poltronas em balanço feitas em madeira de reflorestamento que, em um tom contemporâneo, também respeitam o meio ambiente. A montagem segue as técnicas tradicionais de marcenaria, com encaixes para madeira maciça. Conforto, durabilidade e estética são características destes móveis, que, longe do efêmero e de modismos, cumprem sua função utilitária.

Volta triunfal

“A cadeira de balanço continua sendo um ícone que resistiu ao tempo e faz parte da história de muitas gerações”, diz a arquiteta e designer de interiores Samira Ader. A peça agrada a quem busca um resultado nostálgico e acolhedor, seja qual for o ambiente, continua. “Lembra os bons momentos da infância, quando a vovó contava histórias, resgata o melhor do passado.” O móvel acabou se tornando um objeto de estimação e desejo, complementa a designer de interiores Lidia Sucasas. “Geralmente usadas por pessoas mais idosas ou mães em período de amamentação, a cadeira de balanço também é uma forma de lazer, ideal para assistir TV, ler, simplesmente passar o tempo, contemplar a natureza e embalar o sono”, cita Lidia.

Atelier Carlos Motta/Divulgação
Segundo a designer de interiores Jane Magalhães, as cadeiras de balanço originalmente eram usadas em varandas e jardins, mas com as profundas alterações do desenho, ao longo do tempo, não são mais peças enormes, que ocupam muito espaço. “Hoje, encontramos modelos compactos e cheios de atitude para decorar todos os cômodos da casa com muito estilo e versatilidade.” Nas salas de estar, de televisão, nos quartos, no cantinho do bebê, embaixo da escada, no home-office, na biblioteca, em terraços e áreas externas, a questão é de encaixe e harmonização, orienta Jane. “A cadeira de balanço torna qualquer lugar da casa mais receptivo”, acrescenta Samira Ader.

A velha e querida cadeira de balanço ganhou novas roupagens, e passa a fazer parte do acervo de móveis contemporâneos, salienta Samira. “As propostas atuais deste móvel trazido do passado preservam a plataforma em curva, mas abusam da criatividade para proporcionar o movimento de balanço”, diz. Assinado por designers famosos, o móvel, que já esteve fora de moda, voltou mesmo com força total, afirma Lidia Sucasas. “Há vários estilos e materiais. Vão da tradicional, com pegada vintage, à moderna, divertida, ecofriendly, casual, ou clássica. Além de madeira e vime, são feitas em tecido, fibra sintética, ferro, alumínio, couro, vidro, acrílico, plástico, pele. Uma gama infinita.”

Algumas se tornaram verdadeiras obras de arte, e outras podem até ser equipadas com alta tecnologia, como aparelhos de LED acoplados e sistemas de movimento por controle remoto, ressalta Samira. “Existem também as chamadas ‘cadeiras do papai’, que reclinam, fazem massagem, e seriam como uma releitura da velha cadeira de balanço da vovó”, completa Lidia.

Joana Gontijo/Portal Uai/D.A Press


Desejadas e únicas


Mesmo com a atmosfera retrô, as cadeiras de balanços atuais se renovam em design, pontua Lidia Sucasas. “Os modelo clássicos persistem, mas, misturados com objetos descontraídos, coloridos e materiais diferentes da madeira, se tornam desejados, únicos e modernos.” Para Lidia, chique é misturar o antigo ao contemporâneo e, principalmente se a peça for garimpada, personalizá-la. “Reformar a cadeira, dando novas cores e acabamentos, faz toda diferença. Para harmonizar com a decoração, é preciso ter claro em mente qual a funcionalidade dela no espaço.”

Jomar Bragança/Divulgação
No Hall dos Viajantes, ambiente assinado por Lidia, em parceria com Anna de Matos, na mostra Morar Mais por Menos de 2013, em Belo Horizonte, a cadeira de balanço foi um centro de atenção. No corredor de passagem para os quartos, a proposta era criar pequenos setores para atender a todos os dormitórios. Foram dispostos uma mini copa, local para meditação, espaços para lembranças e recordações. No canto destinado à leitura, a cadeira dava o ar diferenciado de nostalgia e conforto.

Em outra proposta apresentada em 2010 na mostra em BH, o móvel permitia o encontro de gerações em uma composição aconchegante, unindo novo e antigo. Na Sala de Estar da Família, de Samira Ader e Andrea Medeiros, na Morar Mais, a referência ao tempo da vovó vinha da escolha pela cadeira de balanço, porém, com design contemporâneo. “A cadeira de balanço se tornou um móvel querido por todos, independente do estilo”, finaliza Samira.

Inspiração no universo infantil


A origem da cadeira de balanço é contraditória. A designer Jane Magalhães concorda com a ideia de que o móvel tem inspiração nos berços de embalar e nos cavalinhos de madeira. A versão mais aceita seria que, para o uso adulto, foi criada na Inglaterra no início do século 18, por volta de 1725, e daí levada aos Estados Unidos. Já no século 19, a cadeira de balanço começa a ser fabricada pelas empresas do ramo mobiliário (com destaque para a oficina de Ducan Phyfe, pioneiro em móveis de estilo Império em Nova York), e torna-se comum nas residências, esclarece Lidia Sucasas. Mas, somente após a 2ª Guerra Mundial, acrescenta Jane Magalhães, de fato se difundiu. Com a explosão do consumo na década de 1960, ganhou lugar no pensamento dos melhores designers italianos e escandinavos. Desde então, aparecem em modelos para áreas internas e externas, com um, dois ou mais lugares, para adultos, crianças e bebês.

Saiba mais: equilíbrio perfeito


As cadeiras de balanço se diferenciam das tradicionais por possuir os pés anteriores e posteriores interligados dois a dois. A ligação é feita por duas bandas laterais encurvadas, que produzem a sensação do baloiçar, movimento para frente e para trás. Sempre em apenas uma posição de apoio em cada lado, desperta a sensação de relaxamento e conforto ao limitar os esforços musculares, já que o centro de gravidade da pessoa fica alinhado com os pontos em contato com o chão. Desempenham a função de descanso, lazer e prazer. Pelo movimento do ir e vir, também ajudam a embalar o sono. Adquirir uma cadeira de balanço é uma dica para quem tem dificuldade para dormir ou sofre com estresse.

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