Arquitetos dão dicas de como redecorar o lar depois que os filhos saem de casa

Renovar a decoração do imóvel pode ajudar os pais a superarem a ausência deles e a preencher o espaço vazio

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postado em 05/09/2014 08:00 Lugarcerto /Estado de Minas
Projeto da designer de interiores Fabiana Visacro adaptou um escritório ao quarto - Henrique Queiroga/Divulgação Projeto da designer de interiores Fabiana Visacro adaptou um escritório ao quarto

Mesmo que saibam a vida toda que filhos se cria para o mundo e que, inevitavelmente, um dia vão embora, os pais sempre sentirão o peso do momento em que eles resolvem morar fora, ou para constituir família ou seguir a própria trajetória profissional. O desconforto emocional que a psicologia trata como Síndrome do Ninho Vazio é vivenciado por cada pessoa de uma maneira, mas é certo que acaba. Com a alteração na rotina do lar, renovar a decoração pode ser uma saída para preencher a falta dos filhos, no coração e na casa.

Segundo a designer de interiores Fabiana Visacro, pessoas otimistas, com mais energia e maior capacidade de se adaptar a situações novas, tendem a ter um tempo de luto menor, e consideram logo a possibilidade de criar novos projetos para ocupar o ninho novamente. “Normalmente, a Síndrome do Ninho Vazio é pontual, ou seja, tem tempo certo para terminar, que é o momento da reestruturação de uma nova ordem familiar”, pontua Fabiana, que também é psicóloga.

A decoração pode, em muito, contribuir para a superação desta fase, frisa a designer, visto que os pais começam a buscar outras ocupações. “É muito comum que as pessoas passem a fazer várias coisas que antes não faziam, como viajar, passear, voltar a estudar, praticar um esporte ou algum hobby”, diz. Para a arquiteta Luciana Araújo, a arquitetura tem a capacidade de completar os espaços vazios que os filhos deixaram, com uma decoração que propicie aos pais um ambiente onde eles possam colocar em prática antigos hábitos. “Os desejos como o de ter um escritório, um ateliê, ou uma sala de TV, por exemplo, agora podem ser realizados. Em alguns casos, os pais optam por uma transformação mais radical e resolvem até mudar de casa. Neste ponto, a arquitetura chega para construir este novo lar que tem novas necessidades”, salienta a profissional da Óbvio Arquitetura.

Como a casa, nesta situação, ganha mais áreas livres, redecorá-la é uma ótima opção para utilizar o espaço de forma mais útil e bonita, salienta Luciana. “É o momento de reavaliar as necessidades do casal e readequar a moradia neste contexto diferente”, acentua. Fabiana Visacro enumera uma série de opções para transformação do antigo quarto do filho. “Aquele quarto pode virar um espaço de estudos para quem quer aprender um novo idioma ou retomar a vida acadêmica; pode se transformar numa mini sala de cinema ou estúdio de música, para quem aprecia estes hobbies; um ateliê de corte e costura e outras habilidades manuais com um 'cantinho da internet' bem bolado para manter as ideias em dia; ou quem sabe ainda uma linda e charmosa biblioteca”.

Alternativas não faltam também para quem pretende aproveitar o mobiliário já existente. A cama pode ser utilizada para hóspedes ou até para o dia em que algum filho precisar cochilar depois de um almoço de família, dá a dica Fabiana. Encher a cama de almofadas, orienta, é uma boa opção para deixá-la com cara de sofá para o dia a dia e dar descontração ao ambiente. O armário pode servir como rouparia ou para guardar os documentos com mais organização - outra opção é retirar as portas para expor livros. “Existem também alguns adesivos para madeira bem interessantes que podem dar cara nova ao móvel já usado. Trocar tapetes e cortinas e reestofar uma poltrona são outras sugestões para quem quer renovar o espaço, sem trocar a mobília”, enumera a designer, evidenciando que o vazio se combate com muita criatividade.

Um ponto importante a considerar quando os filhos saem de casa, lembra Luciana Araújo, é a necessidade de preparar a residência para recebê-los como visita, já que, junto com eles, geralmente vêm os netos, noras e genros. De acordo com a arquiteta, isso implica em uma mesa de jantar maior, uma sala de visita mais convidativa, um quarto de hóspedes adequado e, caso for preciso, um cômodo para os netos dormirem e brincarem. “Tudo isto vai fazer com a família se sinta bem de estar ali e, com certeza, aumenta o convívio. O principal efeito de renovar a casa é trazer alegria para este momento de mudança, e fazer com que a saída dos filhos não seja uma perda, mas o ganho de um ambiente mais acolhedor e útil para todos que ali se relacionam”, ressalta.

Planos

A dona de casa Cesarina Lima Salvador, de 68 anos, tem quatro filhos adultos, dois homens e duas mulheres, e diz que continua cheia de afazeres depois que todos saíram da barra de sua saia. Com seis netos, ela vive com o marido, Carlos Alberto, em uma casa de três quartos no Bairro Itapoã, em BH. A rotina é outra desde a saída dos filhos, mas Cesarina está sempre reunida com a família, como gosta. “A mudança do meu filho mais velho foi a mais difícil, era uma situação nova. Os outros foram saindo aos poucos, não foi ao mesmo tempo, e acabou que fui me acostumando. Mesmo assim, hoje não tenho tempo livre."

No quarto que era dos meninos, as camas deram lugar a um sofá de dois lugares, o armário foi mantido e, com a escrivaninha para computador e impressora, nasceu um espaço de escritório. Nas paredes, nova pintura, quadros com fotos da família, e na janela a persiana mais leve substitui o blackout que era opção dos filhos. No antigo dormitório das meninas, as camas e os criados foram doados, e agora uma cama de casal e uma cômoda dão forma a um quarto de hóspedes. "Gosto muito de cuidar da casa e, como meu marido viaja muito, também não dispenso meus momentos sozinha, de silêncio”, diz Cesarina.

Para a professora aposentada Nívia Visacro, de 71 anos, a vida se transformou nos últimos tempos, depois do fim do casamento de 27 anos. A antiga casa onde morava com o marido e os três filhos foi vendida, e agora a jovem senhora experimenta feliz sua independência em um apartamento no Buritis, na capital. Ela adora viajar, fazer o quer, na hora que quer, e tem dia marcado toda semana para aproveitar a companhia das amigas fiéis da turma de baralho. “Tenho os dias super movimentados e o espírito livre. Meus filhos são meu xodó, mas depois que fiquei sozinha nada me prende”, se alegra.

Na casa de Nívia Visacro, o projeto que será feito pela filha, Fabiana, vai criar uma sala de jogos e outra de TV
Mãe da designer Fabiana Visacro e já avó de três meninas, Nívia já tem em mente o que quer para os dois quartos que ficaram vazios com a saída dos filhos, e o projeto deve ser feito ainda este ano. Um será uma sala de jogos, com a mesa redonda tradicional para buraco, e uma estante para livros que formará um canto de leitura, hobby da professora. No outro, o plano é fazer uma sala de TV, com um bancada para um discreto escritório. “Sem os filhos tão perto, você acaba voltando a atenção para a própria vida. Eu fui realizar meus sonhos, e não paro nunca de sonhar.”

Tags: lançamento

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