Arquiteta e designer se especializam em customizar móveis e objetos usados

Engajadas com a questão ambiental e avessas à mesmice, dupla trabalha com personalização de peças antigas

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postado em 08/10/2014 08:16 / atualizado em 07/10/2014 16:32 Joana Gontijo /Lugar Certo
Casatelier/Divulgação


Sair da mesmice, da monotonia, do neutro e que não é novidade, e dos altos investimentos. Para elas, a casa deve contar história, ser original, alegre e criativa. Chegar a uma decoração com personalidade significa fazer do lar um mosaico de inspirações e surpresas. Com essa ideia em mente, uma designer de interiores e uma arquiteta de Belo Horizonte se uniram para apostar na customização de móveis e objetos. Garimpando itens antigos, que são repaginados com muita cor e liberdade, o trabalho da Casatelier, espaço multidisciplar aberto em 2011, é fazer nascer peças únicas e cheias de significado.

Para Cátia Maiello, designer de interiores, e Cláudia Aragão, arquiteta e urbanista, muitas vezes o que iria para o lixo pode ressurgir em leituras inovadoras. Móveis e objetos velhos carregam um estilo próprio, com características singulares, em riqueza de traços, formatos e materiais, segundo as profissionais. “Eles aguçam o olhar, narram histórias e encantam”, dizem. As duas se conheceram enquanto cursavam design de interiores no Izabela Hendrix, onde começou a amizade que veio da descoberta dos objetivos em comum – a vontade de atuar com customização, respeitando os preceitos da sustentabilidade. “É uma maneira de valorizar o que já se possui. Muitas vezes, as pessoas descartam peças lindas e de excelente qualidade porque elas não combinam mais com o estilo da decoração, ou porque simplesmente enjoaram. A nossa intenção é reduzir ao máximo esse descarte, pois é nestes elementos que surgirá uma composição autêntica e criativa”, salientam.

Casatelier/Divulgação


O serviço oferecido pela Casatelier se inicia ao abrir a perspectiva ao cliente para a possibilidade de conferir um outro sentido a uma peça já existente - seja mais simples, como um espelho, uma mesinha de canto ou uma luminária, ou mais complexa, como aparadores, poltronas, sofás, pentedeiras e escrivaninhas -, mas se expande ainda mais. Cátia e Cláudia percorrem brechós, antiquários, lojas topa-tudo, cidades do interior de Minas, e encontram a matéria-prima até mesmo em caçambas, além de sites de móveis usados. Também fornecem itens exclusivos escolhidos por elas e já reformados e, por outro lado, fazem desenhos sob medida, sem contar os projetos de ambientação de interiores. “A demanda pode surgir em um projeto de decoração/arquitetura que estamos executando, pode ser por encomenda ou por produção própria (acervos e garimpos)”, elucidam.

Casatelier/Divulgação


Entre as criações da dupla, que sempre se sobressaem pela identidade colorida, estão uma poltrona Luis XV, várias penteadeiras, cristaleiras, chapeleiras, armário com parte transformada em escrivaninha, sofá que virou recamier e até uma cabeceira de cama de casal, criada a partir de uma grade que protegeu uma casa, há muitos anos. Outros produtos são azulejos, porcelanas e vidros pintados à mão, e as opções personalizadas de abajures. “Quando customizamos um móvel, evitamos o descarte e o consumo desnecessário. A ideia de reaproveitamento e reutilização dos produtos é uma forma de pensar na sustentabilidade.”

A penteadeira também faz parte do acervo das especialistas em transformar móveis  - Casatelier/Divulgação A penteadeira também faz parte do acervo das especialistas em transformar móveis


O processo criativo se desenvolve em etapas. O primeiro passo é selecionar o objeto que será reformado (móveis de madeira maciça, mais resistentes ao tempo, geralmente rendem bem), analisando o estado de conservação – algumas peças, mesmo muito maltratadas, não estão estragadas, mas outras podem não ter conserto, e aí não é vantagem investir. Se o móvel for aprovado, Cátia e Cláudia resolvem o que será feito, decidindo com o cliente a preferência de tecido e cor. Então começa a restauração, que geralmente é finalizada com a aplicação de laca, um jeito de dar um visual menos artesanal à mobília, sempre com tonalidades vivas. Em qualquer projeto, a Casatelier respeita o gosto do freguês. “Nosso público é o que deseja decorar uma casa com a cara dele: única, original, sem cópias”, descrevem.

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