Profissionais dão dicas de como valorizar a decoração em imóveis tombados e antigos

Como decorar e modernizar essas construções? Arquitetos e designers revelam pontos positivos e contra. Com criatividade, é possível preservar e ter um grande projeto

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postado em 01/04/2015 11:05 / atualizado em 01/04/2015 11:09 Lilian Monteiro /Estado de Minas
João Avelino/Divulgação


Derrubar uma parede, trocar o piso, sumir com o rodapé, ampliar o cômodo, mudar a fachada... Se seu imóvel é tombado, provavelmente você não poderá fazer muitas dessas alterações, já que há uma série de restrições e regras que devem ser seguidas na hora de reformar ou remodelar o imóvel. Caso contrário a obra pode ser embargada até a regularização do projeto. No entanto, não é porque precisa lidar com essa característica particular que você não possa ter uma casa antiga com os benefícios da vida moderna. Luiz Felipe Quintão, sócio-diretor da Bloc Arquitetura, explica que cada imóvel tem um tombamento específico, com o que deve ou não ser preservado, seja piso ou rodapé. Enfim, itens específicos da arquitetura. “Há pelo menos duas restrições básicas. A altura da edificação tem de ser mantida e, por isso, a nova fica limitada a essa altura. E a distância mínima de cinco metros de uma edificação nova.”

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Por outro lado, Luiz Felipe defende a manutenção da arquitetura de outra época porque as edificações antigas são inteligentes, quer dizer, têm ventilação interessante, preocupação com a insolação e estrutura robusta, paredes espessas que aliviam o calor. Ou seja, conforto ambiental, mesmo construídas sem os recursos tecnológicos atuais. E se por acaso algum aspecto do imóvel for um grande obstáculo, há soluções. Ele ensina que, se não gostar do piso, é possível cobri-lo com o piso elevado a 10cm, uma técnica de espaçador com o vão sendo utilizado para passar cabeamento, por exemplo.

Casa tombada foi transformada em clínica de dermatologia em Belo Horizonte - João Avelino/Divulgação Casa tombada foi transformada em clínica de dermatologia em Belo Horizonte


Luiz Felipe lembra que a maior parte dos imóveis tombados é para uso comercial e são mais caros. Mas se por acaso tiver um imóvel tombado no zoneamento urbano, o proprietário pode vendê-lo ou ter a vantagem da isenção de IPTU. Ele ressalta que não há idade do imóvel para ser tombado. “Nem máxima, nem mínima. Vai depender da relevância e da quantidade de estilo. Em Belo Horizonte, temos preciosidades desde 1897 preservadas, sem contar o Museu Abílio Barreto, anterior à construção da capital, edifício mais antigo da cidade.”

Imóveis tombados têm características incríveis e seria loucura não exibi-las. Numa clínica de dermatologia na Região Centro-Sul da capital, o piso de taco faz toda a diferença. A lareira, o arco que divide as salas, as janelas de madeira ao lado da decoração moderna criaram a harmonia perfeita entre o antigo e o contemporâneo.

REALÇAR

A arquiteta e designer de interiores Valéria Alves exalta que, ao contrário de esconder, os aspectos antigos precisam ser realçados. “Um piso de taco carrega história e, provavelmente, é de madeiras como peroba, peroba-rosa ou do campo. Assim como as janelas de madeira nobre e algumas do modelo guilhotina. Nada de cobri-las com cortinas. Eu as exibiria ou, se fosse preciso lidar com o sol, usaria uma bem simples para emoldurá-la.” Ela enfatiza que, pelos vários tipos de tombamento, o fundamental é tornar as particularidades evidentes. Se tem um arco, não é possível revesti-lo ou aplicar textura. O ideal seria resgatar a pintura original, o que valorizaria ainda mais. Para Valéria, é fácil levar a modernidade para dentro de um imóvel tombado. Basta investir em escolhas pontuais, como móveis modernos, iluminação que destaca os pontos altos da casa e objetos que garantirão beleza e conforto, como o ar-condicionado, sem interferir na estética.

O advogado do setor imobiliário Luiz Fernando Valladão, sócio-fundador do escritório Valladão Sociedade de Advogados, diz que, apesar de o tombamento restringir o direito do proprietário pelo valor histórico, cultural e artístico do bem e patrimônio, ele pode vender ou fazer alterações desde que tenha aval do conselho local. Caso contrário, pode ser apenado com multa. “No entanto, quem tem esse tipo de imóvel gosta da propriedade por razão afetiva. Agora, se não deseja e desconfia do tombamento, a saída é ajuizar medida cautelar de produção antecipada de prova pela qual vai tentar, na perícia, demonstrar que o seu imóvel não se enquadra nos critérios para o tombamento.”

Arquiteta Lilian Fajardo reformulou uma casa antiga e deu ares de modernidade à residência - Adriane Xavier/Divulgação Arquiteta Lilian Fajardo reformulou uma casa antiga e deu ares de modernidade à residência


ANOS 1930

Diferentemente dos imóveis tombados, Lilian Fajardo, arquiteta, urbanista e designer de interiores, desenvolveu um projeto de reformulação de uma casa de 1930. Ela conta que um casal, que namorava desde a adolescência, criados no mesmo bairro, desejava ter uma casa espaçosa para receber os amigos e a família. Encontraram um imóvel desta década abandonado, mas muito bem localizado e no bairro onde cresceram juntos. Decidiram investir e a chamaram para a missão de realizar um sonho. “Toda a casa original estava implantada em um andar, no nível da rua. Na parte de baixo, um porão com acesso pela lateral da casa. O projeto contemplou a ampliação da casa com estrutura metálica. Uma escada interna foi criada e o porão passou a ser uma charmosa cozinha, que atende tanto a área íntima como a área social.” Lilian conta que, no andar superior, ficou apenas a saleta de distribuição e os quartos e, no inferior, toda a área social integrada com a área externa, que tem uma piscina em raia com borda infinita e, no fundo do lote, a edícula abriga um salão de festas e uma academia de ginástica. “O estilo colonial foi substituído pela contemporaneidade das linhas retas. Um projeto moderno e com personalidade elaborado para clientes singulares.”

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