Estilo hipster invade a decoração ao criar ambientes de pura personalidade

Marcado pela ousadia, ele propõe a união de elementos modernos e vintage

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postado em 17/08/2015 10:08 Lilian Monteiro /Estado de Minas
Peças como a poltrona estilo 1950 e o ventilador com design antigo compõe a decoração - Daniel Mansur/Divulgação Peças como a poltrona estilo 1950 e o ventilador com design antigo compõe a decoração


De tempos em tempos, termos em alta em determinadas épocas voltam repaginados invadindo as mais diversas áreas. Nos anos 1940, a onda hipster era usada para descrever os apreciadores de jazz urbano afro-americano que frequentavam as redondezas do Harlem, bairro de Nova York. Na década seguinte, o escritor americano Norman Mailer descreve os hipsters como o branco da classe média urbana que gostava de sair da zona de conforto da sua cultura para invadir clubes de jazz, geralmente frequentados por negros. Nos anos seguintes, ora em alta, ora em baixa e com revisão de conceitos (já foi apontado como o movimento de pessoas que sempre sabem das tendências antes das outras e buscam ser diferentes e rebeldes), o certo é que ele volta no século 21 com força total e na decoração!

Neste espaço, relógio estilo estação de trem chama ainda mais a atenção ao lado da parede de tijolinho - Daniel Mansur/Divulgação Neste espaço, relógio estilo estação de trem chama ainda mais a atenção ao lado da parede de tijolinho
Em casa, o estilo hipster é traduzido em ambientes que transparecem personalidade. Um jeito de assinar um estilo de vida. São pessoas que reúnem num mesmo espaço tecnologia e peças antigas, que misturam elementos modernos com objetos ícones. Privilegiam o que é descolado e inovador. É uma tendência alternativa e para quem inventa moda, que gosta de frequentar brechós, feirinhas, museus, galerias de arte e saber das últimas novidades tecnológicas. A ideia é fugir das convenções.

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A designer de interiores Melina Mundim explica que segue esse estilo quem “coloca itens da família, de outras épocas, na decoração atual. É interessante porque traz história para o ambiente. Dá vida. Uma linha de décor toda reta, clean, é fria, sem graça”.

Para ela, qualquer idade pode adotar uma decoração hipster. “A pegada descolada e criativa é para todos. A ideia é usar objetos de outra forma, com outras funções. Num projeto, criei como pé de uma mesinha rodas de bicicleta. Numa sala de leitura, a poltrona antiga, herança do pai, ganhou tecido supercolorido e, no mesmo ambiente, o baú virou mesa. Uma colcha de crochê pode virar uma manta no sofá. E não precisa ter peças com datas específicas, o legal é ter objetos de outras épocas inseridas no nosso tempo. As peças têm de ser especiais para valorizar o ambiente.”

Banheiro ganha um toque divertido com o espelho em forma de lâmina de barbear - Daniel Mansur/Divulgação Banheiro ganha um toque divertido com o espelho em forma de lâmina de barbear
Mas Melina lembra que é uma mistura organizada. “As peças são detalhes, já que precisam chamar o olhar. Caso contrário, vão passar despercebidas ou perdidas numa bagunça. O estilo hipster exige um toque de personalidade, com cada um revelando um pouco da sua história e identidade.”

ORIGINAL Marina Dubal, do escritório Dad Arquitetura & Design, enfatiza que “hipster não é tanto um estilo, mas uma atitude e postura. O hipster não segue padrões, busca o que o inspira e com o que se identifica. Em geral, são propostas inusitadas e originais, muitas vezes antecipando tendências que serão seguidas posteriormente”. A arquiteta diz que os hipsters são em geral pessoas de vanguarda, a tecnologia entra como ferramenta para sua maneira de se expressar e curtir a vida. Na decoração, a ideia é experimentar o inédito, ou resgatar o abandonado, que ninguém mais quer.

Marina explica que, assim como o hipster, ela acredita que um projeto não deva buscar seguir um estilo único. “O perfil do morador ou usuário do espaço deve ser levado em conta, dessa forma, cria-se um projeto único, com identidade que conte a história de cada um, seja pelos objetos garimpados em brechós ou feiras de antiguidades ou o móvel herdado da avó, ou ainda a peça de design contemporâneo mais recente. A postura hipster pode estar na composição de qualquer ambiente, a ideia é não seguir estilos predeterminados.”

Para Marina, qualquer pessoa pode ser um hipster, ainda que somente em um canto da sala. Aquele cantinho em que se permite sair do quadrado e ousar, seja por estilo próprio de vida ou com auxílio de um profissional.

Poltrona de pé palito, com forro que se destaca pela mistura de estampas, papel de parede colorido e um retrato antigo valorizam o ambiente hipster  - Daniel Mansur/Divulgação Poltrona de pé palito, com forro que se destaca pela mistura de estampas, papel de parede colorido e um retrato antigo valorizam o ambiente hipster
CAIPIRA A servidora pública Sabrina Bernardes se casou em novembro e encarou um ano de reforma no apartamento. Ela e o marido não queriam só as peças básicas e tradicionais em casa. As famílias, com raízes no interior do Centro-Oeste mineiro, Córrego Dantas e Pequi, influenciaram o casal, ainda que tenham veia urbana. “Amamos a música caipira, não a sertaneja. Então, compramos para a sala uma vitrola com design antigo para ouvir os vinis do meu pai. O ambiente ganhou outro ar, mais gostoso, de aconchego, de lembranças da família mesmo ao lado de objetos modernos. Temos ainda um relógio de estação, que lembra a casa de vó. E, na cozinha, decidimos pôr azulejos antigos e colocamos um bule e canecas retrô. São poucas peças, aparecem como detalhes, mas fazem a diferença. Somos um casal jovem, mas com alma velha. Somos tranquilos, não gostamos de balada e nos encanta esse resgate. O engraçado é que, enquanto minha mãe dispensa geladeira antiga e compra uma moderna, duplex, lamento não ter herdado a velhinha. Ia ficar linda na minha cozinha”, conta Sabrina.

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