Projeto revitaliza casa que abriga mulheres e filhos vítimas da violência doméstica

Mais de 30 profissionais da arquitetura e decoração do Décor Solidário, em sua terceira edição, revitalizam voluntariamente instituição que abriga mulheres vítimas de violência doméstica

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postado em 27/04/2016 17:24 Lilian Monteiro /Estado de Minas
ANTES - Salão de beleza criado por Cláudia Zocoli e Cris Terra é confortável e busca estimular o resgate da autoestima das mulheres, para que elas queiram e gostem de se olhar - Osvaldo Castro/Divulgação ANTES - Salão de beleza criado por Cláudia Zocoli e Cris Terra é confortável e busca estimular o resgate da autoestima das mulheres, para que elas queiram e gostem de se olhar


Arquitetura e decoração estão presentes na vida de cada um, para influenciar e propor mudanças. São intervenções que têm a missão não só de melhorar o ambiente, o espaço físico, mas também de influenciar as pessoas. Em sua terceira edição, o projeto Décor Solidário se consolida e mostra que, para transformar vidas, só é preciso boa vontade. Desta vez, mais de 30 profissionais estenderam a mão para revitalizar casa que abriga mulheres e seus filhos, vítimas da violência doméstica.

A designer de interiores e psicóloga Fabiana Visacro, que lidera o Décor Solidário, conta que esta terceira edição foi a mais desafiadora, porque a instituição agraciada foi uma casa com mais de 40 ambientes, entre quartos, banheiros, salas administrativas, lavanderia, refeitório, brinquedoteca, salão de beleza e espaços externos, o que exigiu muito dos profissionais, que reformaram e decoraram tudo em 30 dias. “Houve quem assumisse quatro quartos! E tudo valeu a pena!”

Fabiana lembra que, a princípio, a grande preocupação era que o grupo se mantivesse próximo e unido. “Ganhamos vários amigos. Para acolher os voluntários, todos precisaram estar motivados porque sofremos pressão, o tempo é corrido e o maior desafio, além da causa, é a vontade de estarmos juntos e nos gostar. E para não crescer demais, extrapolar, alguns profissionais pegaram mais de um ambiente e, se antes tínhamos dupla para um espaço, desta vez o trabalho foi sozinho.” Arquitetos e designers formam um time, que executa os projetos, corre atrás de parceiros e coloca a mão na massa.

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Fabiana diz que trabalhar num contexto de violência, que está presente no dia a dia, e encarar uma situação-limite é bem difícil. Por isso, a missão do Décor Solidário foi “buscar construir algo novo”. Ela enfatiza o desejo e a preocupação “de fazer do espaço um lugar de reflexão, um lugar para essas mulheres se afastarem do contexto e ter uma visão melhor e maior para assumir uma nova vida. Um ambiente de acolhimento para perceber que merecem mais. A decoração cuida do espaço e também da pessoa, que usufrui de um ambiente bonito, aconchegante, funcional e que melhora a qualidade de vida, a autoestima e a socialização”.

DEPOIS - Salão de beleza criado por Cláudia Zocoli e Cris Terra é confortável e busca estimular o resgate da autoestima das mulheres, para que elas queiram e gostem de se olhar - Osvaldo Castro/Divulgação DEPOIS - Salão de beleza criado por Cláudia Zocoli e Cris Terra é confortável e busca estimular o resgate da autoestima das mulheres, para que elas queiram e gostem de se olhar


DIFERENÇA Para a designer, saber que realmente faz a diferença na vida das pessoas que consegue ajudar é um presente que não tem preço. E, profissionalmente, é a oportunidade de provar que a arquitetura e o design são uma necessidade. “A decoração, a arquitetura e o paisagismo fazem parte do estímulo para essas mulheres sonharem e querer mais. Elas precisam resgatar e saber que têm esse direito.”

Na revitalização, diante desse cenário, Fabiana Visacro explica que trabalharam com muitos espelhos, “para que essas mulheres voltem a se olhar”. Em paredes de vários ambientes, os profissionais espalharam frases motivadoras para que possam refletir. Uma delas diz: “O que merece um ponto final? O que merece uma vírgula? E está na hora da exclamação?”. A designer enfatiza que “recebe muito mais do que doa. “É incrível ver o sorriso no rosto das pessoas que vivem nas casas que revitalizamos. É maravilhoso poder levar a alegria por meio do nosso dom, da nossa união e da criatividade do grupo.”

DEPOIMENTOS

• Isabela Canaan, arquiteta

“Foi minha primeira experiência. Nunca tinha feito uma ação voluntária e me envolvi mais do que imaginava. A gratificação pessoal foi incrível. Doei 100% do meu tempo para fazer a recepção da casa. Por uma semana, abri mão da minha vida pessoal, de levar as crianças na escola e de agendar clientes. Foi muito legal, porque o retorno vem de dentro para fora, você se sente muito bem. Ao aceitar fazer parte do Décor Solidário, não queria nada diferente do que fazer o bem. O retorno é sensacional e diferente de como dar uma cesta básica ou ajudar alguém que trabalha para você. E pude fazer o bem com o que gosto. Inclusive, pratiquei o desapego, o desprendimento, ao levar da minha casa dois baús para a bancada dos computadores das crianças. Foi uma experiência inesquecível e quero repetir. No ambiente, não quis nada escuro e, por ser o primeiro contato com a casa, quis que transmitisse leveza e mostrasse um lugar de mulher, feminino. Por isso as cores roxo, rosa e tons pastel, para que elas sentissem: “Aqui é o meu lugar, lugar de mulher”. Fiz um patchwork de papel de parede colorido, em cores vivas, felizes, com arabescos e nada rígido. Outro ganho sensacional é que vivemos em um meio competitivo, disputado, e nesse grupo trabalhamos juntos, com ajuda mútua. Muito bom”.

• Érika Medeiros, designer de interiores

“Participo do Décor Solidário desde a primeira edição. Este ano foi um desafio, porque a casa era enorme e ainda tínhamos a preocupação de guardar o sigilo do lugar, manter a discrição. Participar desse grupo não tem palavras. Sou envolvida em vários outros projetos voluntários e o diferencial aqui é a oportunidade de doarmos o trabalho que fazemos no nosso dia a dia. A chance de transformar a vida das pessoas tem um significado diferente, o brilho nos olhos é único. Fiz a lavanderia e quis fugir do tradicional ambiente branco. A ideia foi mantê-la funcional, com cara de limpeza, mas imaginei levar alegria, natureza, vasos e o toque de trabalho manual. Mesmo na hora de lavar a roupa, do fazer doméstico, procurei fazer com que essas mulheres estivessem em um lugar que transmitisse reflexão. Tanto que há uma frase no espaço: 'Na hora de lavar a roupa, imagine lavar a alma'”.

Tags: mrv bh Belo Horizonte Minha Casa, Minha Vida mercado de imóveis até R$ 200 mil

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