Decoração sustentável segue princípios de economia e criatividade

Economia está na ordem do dia em todos os aspectos da vida. Nada mais natural do que investir na decoração sustentável, ecológica e reutilizável

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postado em 29/07/2016 10:58 Lilian Monteiro /Estado de Minas

Neste projeto, destaque para o painel de TV com vigas de obra e quatro colchões de solteiro dispostos em cima de um tablado de MDF pintado de preto, fazendo às vezes de sofá - Gustavo Xavier/Divulgação Neste projeto, destaque para o painel de TV com vigas de obra e quatro colchões de solteiro dispostos em cima de um tablado de MDF pintado de preto, fazendo às vezes de sofá

Sem discurso. Foco na realidade. Procurar adotar e praticar uma vida sustentável e ecológica faz bem a você e a todo mundo. O que não significa abrir mão do que gosta, mas simplesmente encontrar substitutos e outras referências. No mundo do design e da arquitetura, o que não falta é criatividade. Em tempos de crise, não há melhor atitude do que decorar a casa com ideias que seguem esses princípios. O arquiteto Júnior Piacesi acredita que, no Brasil, a indústria começa a ter esse olhar diferente em que a sustentabilidade esteja presente tanto no processo industrial quanto no material de confecção do produto. “É preciso pensar no sustentável além de revestimentos e garrafas PET.”

Júnior Piacesi destaca três medidas fundamentais para a implantação desse processo em sua área. “É importante se preocupar com o processo construtivo para lá na frente não ser preciso comprar um adorno de PET. É possível ter um custo acessível de captação de energia com as placas fotovoltaicas. No último Salão de Milão, foram apresentados projetos com seu uso não só no teto, mas nas paredes laterais e até em móveis para captar a luz do sol. Portanto, a iluminação merece cuidado e atenção. Em seguida, vale pensar na ventilação, que seja correta, cruzada, para o vento entrar e sair. Medida que, entre outros benefícios, ajuda a economizar com o ar-condicionado (diminuir o uso). Outra atitude é a captação da água de chuva. A partir da iluminação e da ventilação, a indústria vai absorvendo esse comportamento com bons desdobramentos até chegar, por exemplo, ao mobiliário com madeira sustentável”, explica.

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Luminária pendente de restos de fios vermelhos alia bom gosto e criatividade - Gustavo Xavier/Divulgação Luminária pendente de restos de fios vermelhos alia bom gosto e criatividade
O arquiteto lembra que a sustentabilidade tem de ser macro e não só na decoração. Ele, que esteve em Milão, conta que foi lançado, ainda que cause certa estranheza, uma cerâmica feita de resíduo de fezes, que levada à alta temperatura apresentou resistência e uma cor interessante. E pode ser usada tanto em ambiente interno quanto externo.

Entre os vários projetos que executa com preocupação sustentável, Júnior Piacesi conta que fica atento à possibilidade de reutilizar refugo de obra. “Em um deles, usei resto de uma estrutura de alvenaria para fazer o painel de TV (é um vergalhão de construção) e dentro dele coloquei uma cortina de tela de proteção (aquela verde, que contorna a obra, mas usei a branca). No mesmo projeto, fizemos várias almofadas com lona de caminhão e uma luminária com resto de fio, uma peça criada pelo arquiteto Thales Pimenta, da equipe do nosso escritório. E ainda outras duas luminárias de teto com metalon reaproveitado com lâmpadas LED.”

Para Júnior Piacesi, é possível criar um comportamento ecológico e sustentável sem grandes custos. “O mais importante é aliar bom gosto e criatividade aplicada na realidade sustentável e financeira”, afirma.

Objetos repaginados conferem personalidade, elegância e cara nova aos ambientes. Cadeira Luiz XV e cristaleira ganharam vida após a intervenção - Gustavo Xavier/Divulgação Objetos repaginados conferem personalidade, elegância e cara nova aos ambientes. Cadeira Luiz XV e cristaleira ganharam vida após a intervenção
CUSTOMIZAÇÃO Cátia Maiello é pós-graduada em design de móveis e graduada em design de interiores, amante dos móveis, das artes, do design, do artesanato e principalmente das cores. Cláudia Aragão é arquiteta e urbanista, pós-graduada em design de móveis e artista plástica. Juntas, elas fundaram o escritório Casatelier, que, entre tantas atividades, reformam e customizam móveis. “Eu me despertei para a customização ao olhar para o consumo frenético das pessoas e a necessidade de trocar a toda hora. Por que não repaginar o que já te acompanha? É preciso cuidado para não agir de forma gratuita, trocar só por trocar. É possível reciclar e deixar uma peça antiga renovada e bonita”, garante Cátia.

O transformar sempre está presente no conceito e nos projetos dessas profissionais, o que atrai uma clientela, na maioria, jovem, descolada, que assume esse consumo responsável como estilo de vida. A procura também aumentou porque, relacionada a uma galera cool, a busca por objetos customizados está em alta e na moda. No entanto, Cátia Maiello garante que a visão sustentável tem a ver com o desejo de uma decoração com foco na identidade do morador, naquele que olha para sua história. Para quem ainda resiste, a postura é quebrada ao receber o mobiliário restaurado. “Muitos clientes ficam impressionados com o a peça customizada e acabam dizendo: 'Nossa, é a minha cara'.”

Cátia Maiello conta que a sustentabilidade veio junto com reciclagem e, por isso, criou-se um estigma, ao pensar em decoração, de que tudo “era de palet e PET e viria do lixo. Foi uma overdose e muitos ainda têm receio. Não tem mais nada a ver”. A designer de interiores explica que na Casatelier “fazemos intervenções nas peças. Podemos trocar puxadores, revestir de tecidos diferentes, restaurar com uma nova pintura, enfim, repaginar um móvel. As possibilidades são inúmeras e o cliente terá uma peça única, exclusiva, que sobressairá em qualquer ambiente. Sem falar que dará outra vida para a casa porque ela tem alma e história”.

Tags: dicas lâmpadas água vaso conta contas economia doméstica

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