Mobiliário feito em massa de papel é resistente e conquistou o mundo

Na linha do Ecodesign, um artista de Minas Gerais conquistou espaço na Europa com criações mobiliárias decorativas que têm como matéria-prima material sustentável semelhante ao papel machê

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postado em 07/08/2013 08:00 / atualizado em 07/08/2013 08:47 Walter Sebastião /Estado de Minas
Domingos Tótora desenvolveu tecnologia própria para processar o papel, sua matéria-prima preferida - Divulgação/Domingos Tótora Domingos Tótora desenvolveu tecnologia própria para processar o papel, sua matéria-prima preferida
 
 
Peças singulares como vasos, mobiliário e fruteiras tem como matéria-prima massa de papel semelhante ao papel machê, alterada para garantir alta resistência. As criações do designer mineiro Domingos Tótora resultaram em prêmios importantes, como o conferido pelo Museu da Casa Brasileira-SP na categoria mobiliário. Em 2011, Tótora foi considerado um dos melhores profissionais do ano pelo conceituado Design Museum de Londres.
 
 
O artista inventou a matéria-prima com a qual trabalha, desenvolveu processos e métodos para usá-la e ainda, mantém produção que dialoga com a sustentabilidade. Atento especialmente à abrangência social de seu projeto, Tótora valoriza sua parceria com artesãs de Maria da Fé, sul do estado de Minas Gerais, o que deu origem a outras atividades na cidade. “As peças dele tocam o coração e a alma. Estabelecem conexão além do uso puro e simples para permitir fruição estética, o que as posiciona no interstício entre o design e a arte”, observa a pesquisadora Adélia Borges.
 
Banco Kraft, criação do designer mineiro Domingos Tótora - Divulgação/Domingos Tótora Banco Kraft, criação do designer mineiro Domingos Tótora
 
 
A confecção dos objetos possui uma intensa relação com a natureza, além de estudos para que o resultado fique de acordo com os ideais cultivados pelo designer. Domingos Tótora é formado em artes plásticas e afirma que a vida o levou ao design. “Fazendo arte, percebi a beleza da matéria bruta, do peso e solidez das massas de papel fruto do descarte de papelão. Experimentando essa massa, aconteceu de perceber que poderia aumentar volumes e superfícies. Cheguei primeiro aos bancos de roça e, aos poucos, ao que faço hoje”, conta Tótora.

Cada peça do artista é única e desenvolvida para ser singular. Ele não esconde encanto especial por poltronas, cadeiras e bancos e centros de mesa formados por esculturas produzidas recentemente. “Acho bonitos os tons terrosos das fotos. Meu trabalho é assim: cor do chão. Nem é intencional. Vivo no meio do mato, na Serra da Mantiqueira, o que deve ter alguma influência no que faço. Há uma linha dividindo design e arte, mas gosto de ver as duas coisas andando juntas. É emoção e funcionalidade, combinação perfeita”, garante.

Banco Solo, feito de papelão e vencedor do 24º Prêmio de Design do Museu da Casa Brasileira - Divulgação/Domingos Tótora Banco Solo, feito de papelão e vencedor do 24º Prêmio de Design do Museu da Casa Brasileira
 
 
Três perguntas para...
Domingos Tótora, designer e artista

Como vê o design brasileiro?

O maior mérito é não ter identidade única, é ser múltiplo, característica de um país continental. Em cada lugar tem uma coisa. O que aparece na peça é a região com sua particularidade e miscigenação étnica e cultural. Isso contribui para um design muito inovador. Não ter padrão estabelecido permite criar coisas muito novas, abre possibilidades. Você percebe que não há limites.

Como você define seu trabalho?

Como o contemporâneo que vem do interior de Minas. Agradam-me as formas sinuosas, arredondadas, ameboides. Sou muito impulsivo, gosto de pegar a matéria e ir moldando, não é sempre que faço desenhos da peça. Também não sou de ficar pensando muito. Sigo apenas o movimento sugerido pelo trabalho. Gosto do objeto que fala por si, que não precisa ser teorizado.

Que conselho daria a jovens designers? Por que a opção por Maria da Fé?

Não perder o foco. Neste mundo com tantas possibilidades, é fácil se perder, querer seguir todos os caminhos e acabar embolado. É preciso traçar metas e sujar o máximo da matéria ou da proposta com a qual você trabalha, pois é assim que a gente amadurece. Quanto a Maria da Fé, a cidade poderia ser referência em ecodesign, mas falta foco nessa direção. Gostaria que todo o município fosse tão bem cuidado e revitalizado quanto o Centro. Senão, fica apenas como um lugar só para turista ver.

Tags: decoração

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