Linha de móveis em tricô manual renova design de cadeiras e poltronas

Especialista em produzir para a indústria da moda, Regina Misk, se voltou para um trabalho autoral com seleção de material para restauração e renovação de móveis vintage com peças de tricô manual

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postado em 20/08/2013 08:06 / atualizado em 19/08/2013 16:36 Laura Valente /Estado de Minas
'Perfumaria' do mobiliário: peças dos anos 1950 e 1960 estão entre as preferidas da estilista  - Divulgação/Vicente França 'Perfumaria' do mobiliário: peças dos anos 1950 e 1960 estão entre as preferidas da estilista


Regina Misk mantém um ateliê de criação de moda em tricô e é coordenadora de estilo da grife de jeanswear Patogê, mas ainda encontra tempo para se dedicar a projetos autorais. O mais recente deles, no entanto, não está relacionado à cobertura do corpo feminino, mas, sim, à decoração de ambientes. Além da forma, consiste em garimpar, restaurar e cobrir móveis com criações feitas na técnica artesanal. “Não são mantas, mas tipos de capas. Faço peças exclusivas, de acordo com o design do móvel, geralmente cadeiras e poltronas vintage, das décadas de 1950 e 1960. A criação faz parte do acabamento da peça”, discorre.


Divulgação/Vicente França
Parte do acervo criado para o Além da forma será apresentado ao público, durante mostra para arquitetos e decoradores em Belo Horizonte. Regina explica que são cerca de 35 móveis, todos únicos, com acabamento em tricô para agradar aos diversos estilos de decoração, dos mais clean aos mais chamativos, coloridões. “São peças perfumaria, ou seja, indicadas para personalizar todo o tipo de ambiente, mas de forma pontual. A pessoa terá uma cadeira ou uma poltrona no estilo e não um conjunto”, sugere.

A criação começa a partir da seleção dos móveis em antiquários. No processo de curadoria a designer elege as peças com o maior potencial de transformação. Dali, separa as que serão restauradas. Aquelas em bom estado de conservação têm a madeira original preservada. As demais recebem laca ou outro tipo de acabamento. Com a estrutura em ordem, Regina veste a peça com as criações em tricô, e garante caráter único e exclusivo de cada modelo.

Receita de bolo

Regina começou a trabalhar o tricô na década de 1980. Desde então, desenvolve coleções para grifes daqui e de fora. Em certa época, chegou a criar cobertura para um sofá de seu showroom, mas parou por ali. Hoje, quase 20 anos depois, retomou o antigo projeto. “Sempre gostei de tricô na decoração e já venho trabalhando no Além da forma há cerca de um ano, para formar um portfólio, um acervo. Agora, nos últimos meses, aceleramos a produção para a mostra.”

Com a técnica artesanal, ela cobre a mobília brincando com cores, proporções, volumes, texturas. A inspiração vem do próprio acervo de pesquisa de pontos e peças em tricô, e também da diversidade cultural que a cerca, de tudo um pouco. “Primeiro, acho uma peça com a estética que me agrada, geralmente modelos vintage, muita coisa pé palito, peças assinadas. Comecei percorrendo antiquários de BH. Atualmente, os principais fornecedores estão em São Paulo e no interior do Rio, principalmente nas cidades Dutra e Queimados”.

Divulgação/Vicente França
Ela explica ainda que nunca usa “receitas de bolo” para criar, abusando da imaginação. “O design do mobiliário sempre é preservado, mas transformamos totalmente a cobertura da peça. A maioria é feita em tricô, artesanalmente, com agulhas mais grossas. Geralmente, inicio o trabalho e passo para a equipe de tricoteiras finalizar”, conta. Regina afirma ainda tratar-se de um trabalho incomum no país. “O que vejo por aqui é o tricô na cobertura de almofadas ou em mantas. Cobrindo móveis, só vi no exterior”. A produção segue de vento em popa e deve originar cerca de 60 peças nesta primeira fase. Os preços, comenta Regina, variam de R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil, para as cadeiras, e entre R$ 2,8 mil e R$ 5mil, as poltronas. Para a artista, não há modelos preferidos. “Gosto de coberturas monocromáticas, preta, verde, mas também das mais chamativas, com texturas de argolas, tranças, pontos com relevo. Também gosto de descobrir pontos novos ou usar na mobília aquilo que não ficaria bem em uma peça de vestuário. Trata-se de um hobby ao qual pretendo dar continuidade”, avisa. Para quem quiser conhecer o trabalho, Regina criou um endereço em rede social. Ela cita que o projeto tem cunho sustentável, uma vez que a matéria-prima é confeccionada a partir das sobras do ateliê de moda. “Tranço os fios que sobram em cadarços e proponho algo totalmente novo com aquele material que seria descartado”. Cada uma das peças criadas por Regina tem uma tag em que são descritos a origem do móvel, a forma e o tempo de produção. A conferir.

Divulgação/Vicente França

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