Arquitetos fazem campanha para restaurar forte militar do século XVIII

Conselho de Arquitetura e Urbanismo em Rondônia propõe que obra histórica construída pela Coroa Portuguesa, seja retaurada

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 19/02/2014 08:00 / atualizado em 19/02/2014 08:41 CorreioWeb /Lugar Certo
Portão principal do Real Forte do Príncipe da Beira (imagem atual sem a ponte, que foi substituída pela escada) - Iphan/Divulgação Portão principal do Real Forte do Príncipe da Beira (imagem atual sem a ponte, que foi substituída pela escada)

Uma campanha liderada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo em Rondônia (CAU/RO) pretende restaurar o Real Forte Príncipe da Beira, construído em 1776 pela Coroa Portuguesa às margens do Rio Guaporé, próximo à fronteira com a Bolívia. A construção fica nos limites do município de Costa Marques, e tinha o objetivo de consolidar o comando português em uma área de difícil acesso da floresta amazônica, a 220m acima do nível do mar.

Administrado pelo Exército e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o forte possui 970m de perímetro, com muralhas com 10m de altura. A restauração completa da arquitetura original será realizada pelo CAU/RO, a partir de uma campanha de arrecadação de recursos por meio da Lei Rouanet e da mobilização junto à população do Estado. Será criada uma conta específica para a verba destinada a esse projeto. Todo o trabalho será fiscalizado pelo Iphan e apoiado pelo Exército.

O conselho vai fornecer orientação técnica e ajudar na coleta de apoios financeiros. Um das contribuições será angariada junto ao Ministério da Cultura de Portugal. Por meio do acordo de cooperação entre a instância federal do conselho, o CAU/BR, e a Ordem dos Arquitetos daquele país, serão solicitados os projetos originais do forte, hoje no arquivo histórico do governo português.

“Trata-se de uma obra ímpar da arquitetura militar portuguesa no Brasil. O forte foi construído para rechaçar invasões de outras nações, e hoje esse restauro pretende torná-lo uma atração turística, para brasileiros e estrangeiros”, disse o presidente do conselho, Haroldo Pinheiro.

Praça interna contendo edificações de armazéns, oficina da guarda. casas de oficiais, capela, casa de guarda, calabouços e cisterna - Iphan/Divulgação Praça interna contendo edificações de armazéns, oficina da guarda. casas de oficiais, capela, casa de guarda, calabouços e cisterna


História

O Real Forte Príncipe da Beira é um quadrado com 970m de perímetro, com muralhas com 10m de altura. Seus quatro baluartes são armados com 14 canhoneiras cada um. Como nos castelos medievais, era cercado por um fosso profundo. O acesso se dava por meio de uma ponte elevadiça que conduzia a um portão com 3m de altura. No interior, existiam 14 quartos, mais capela, armazém, depósitos e celas. Sua cor avermelhada deve-se ao uso de pedras de canga laterítica, abundante na região.

Foi abandonado logo após a proclamação da República, sendo saqueado e tomado pela floresta. Em 1914, foi reencontrado pelo Marechal Rondon, que retornou em 1930 para instalar ali o Contingente Especial de Fronteira do Forte Príncipe da Beira, que, em 1954, teve a sua designação mudada para 7º Pelotão de Fronteira. Em 1950, foi tombado pelo Iphan.

Segundo o historiador Abnael Machado de Lima o forte, com sua imponência em meio à floresta, representava a força e o poder do colonialismo português. Uma monumental praça bélica de resistência militar para marcar a soberania portuguesa – e depois brasileira – na região. “Era a ostentação da dominação”, escreveu Abnael no livro História do Real Forte Príncipe da Beira – 236 anos.
Iphan/Divulgação

Tags: computador

Anúncios do Lugar Certo

Últimas notícias

ver todas
05 de outubro de 2016
26 de setembro de 2016
23 de setembro de 2016