Entrevista: Geraldo Magela - "Plano será aprovado pelo Iphan, pela Unesco"

Secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Geraldo Magela, refuta as críticas e aposta na sanção do texto do lano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília

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postado em 25/03/2014 10:31 / atualizado em 25/03/2014 10:44 Helena Mader /Correio Braziliense
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Em meio à inflamada e crescente resistência de setores da sociedade contra o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub), o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Geraldo Magela, refuta as críticas e aposta na sanção do texto. Ele nega que haja pressa em aprovar o projeto e assegura que a proposta trará mais transparência à ocupação do solo na área tombada. Em entrevista ao Correio, Magela garante que falta compreensão sobre o plano. “Quando o PPCub ficar pronto, pode até haver divergências sobre o conteúdo, mas ele vai dar absoluta clareza sobre o que pode e o que não pode na cidade”, diz.

Por que o plano suscitou tanta resistência e polêmica? Ele abre brecha para o inchaço da cidade?

Primeiro, é preciso deixar claro que o verdadeiro confronto é entre quem quer ficar olhando para o passado e engessar Brasília e quem quer olhar para os próximos 50 anos sem descaracterizar o tombamento. Hoje, muita gente tem uma visão conservadora, como se tivéssemos como voltar a 50 anos atrás. Os puxadinhos são um exemplo disso. No projeto original de Brasília, as lojas foram pensadas para atender os moradores da quadra. Mas, hoje, não é possível ter um restaurante em 30 metros quadrados. Aí vem o confronto entre o conservadorismo e a atualização do projeto. Nas áreas históricas de Roma, por exemplo, os restaurantes e bares têm mesinhas do lado de fora.

Então, na sua visão, quem está contra o projeto quer engessar Brasília?

Fizemos mais de 100 reuniões com a comunidade, no Cruzeiro, no Plano Piloto, com donos de pensão, e representantes de entidades. Muitas das reivindicações foram atendidas. Algumas instituições participaram de todas as audiências públicas, fizemos reuniões dentro do IAB e da UnB. Tem críticas procedentes que assimilamos. E tem pessoas que são contra porque não querem votar o PPCub de jeito nenhum.

Em quais pontos o governo recuou?

Com relação à questão dos equipamentos públicos nas entrequadras, por exemplo. Muitas dessas áreas estão sem construção. A ideia de ter uma área residencial atrás da Rodoferroviária nós retiramos do PPCub também. Concordamos ainda em mudar os equipamentos públicos culturais entre o Memorial JK e a Rodoferroviária. Corrigimos, esclarecemos. Não queríamos fazer restaurante ali e tinha gente que, maldosamente e de forma irresponsável, espalhava essa versão.

Um dos principais centros da polêmica em torno do PPCub é a construção da quadra 901 Norte. Até a Unesco criticou a ideia. Por que o governo insiste nesse projeto?

O PPCub não pode ser votado com nenhuma dúvida. Esclarecidas as dúvidas, nós vamos enfrentar as polêmicas. O governo não tem a obrigação de concordar com uma concepção diferente da dele. Com relação à 901 Norte, temos essas divergências de concepção. Tem gente que diz que se trata de uma área não edificante, o Iphan defende uma altura de até 12,5m, e o governo já fez a proposta para 45m de altura. O governo e o Iphan vão elaborar um projeto discutindo com a sociedade e, um ano depois, vai apresentá-lo. Vamos manter na planilha do PPCub todas as regras para as quadras 900. Mas vai haver um artigo dizendo que isso pode ser revisto. O governo fez grandes concessões com relação a essa quadra.

Por que o projeto chegou ao dia da votação em meio a tantas dúvidas e questionamentos?

O problema maior do PPCub é gente criticando sem saber do que está falando, sem ler o que está previsto. As pessoas criticam a partir do que ouvem falar e, infelizmente, há muita informação errada circulando por aí. Eu afirmo que o PPCub vai ser aprovado pelo Iphan, pela Unesco e vai calar a boca de muita gente que criticou sem nem sequer ler a proposta. No início do governo, críticos vieram a público dizer que Brasília estava correndo o risco de perder o título de patrimônio mundial da humanidade. Era uma postura alarmista e irresponsável. A Unesco veio, fez críticas e observações, mas deixou claro que não existia esse risco.

Tags: sistema

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