Maridos de aluguel conquistam mercado com o serviço diferenciado

Profissional qualificado e confiável ganha espaço não só com as donas de casa, mas entre os mais variados perfis de cliente

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 21/10/2014 08:06 / atualizado em 21/10/2014 11:29 Joana Gontijo /Lugar Certo
Eduardo Almeida/RA Studio


Se a torneira não para de pingar, o chuveiro queimou, o ralo entupiu, a porta emperrou, a descarga está vazando, a gaveta agarrando, e falta tempo para consertar, que tal “alugar” um marido? Como um profissional cada vez mais procurado pela dona de casa, e que já encontra demanda entre diversos perfis de cliente, o marido de aluguel é o cara que resolve todos os problemas dentro dos imóveis. O serviço apareceu há relativamente pouco tempo, mas ocupa espaço de destaque no mercado, aproveitando o diferencial de desempenhar múltiplas funções e centralizar a solução de quaisquer tipos de reparo, desde os pequenos até os mais complexos. O que antes era dividido entre pedreiro, bombeiro, eletricista, pintor, marceneiro e vários outros trabalhadores especializados em cada caso, fica agora nas mãos deste anjo do lar.

Troca, renovação ou manutenção de fechaduras, disjuntores, lâmpadas e luminárias, pias, torneiras, chuveiros, tomadas, interruptores, descargas, vasos sanitários, tanques, registros, sifões, ralos, fogões, coifas, ventiladores, varais, portas, janelas, dobradiças, gavetas, armários, pintura interna, de fachadas, grades e portões, telhas, telhados, calhas, rufos e forros; redes elétricas e hidráulicas em geral; instalação de piso, gesso, prateleiras, televisores, máquina de lavar, conexões de gás; montagem e desmontagem de móveis; limpeza de caixas d'água, cisternas e tubulações; construção de paredes, muros e calçadas e até a colocação dos quadros na parede ou cuidados de jardinagem.

Eduardo Almeida/RA Studio
Eles fazem de tudo e mais um pouco, prontos para driblar esses e qualquer outro imprevisto. Mas, para isso, são exigidos quanto à qualificação e devem inspirar confiança. Quem conquista os atributos, consegue uma carteira de clientes fiéis, sempre crescente, e não fica à toa.

Aos 38 anos, Marcelo Batista de Sales, carinhosamente apelidado Marcelão, está no ramo há uma década. Apto para atender em Belo Horizonte e região metropolitana, prefere ser chamado “clínico do lar”, nome, segundo ele, mais aceito pelos mineiros, que costumam “confundir as coisas”, ressalta. O gosto pela profissão é herança do pai e do avô, agora já transmitida a um dos cinco filhos, seu fiel companheiro em empreitadas desafiadoras. “Trabalhava como motoboy para uma agência de turismo, e fazia muitas entregas de passagens, passaportes, coisas do tipo. Resolvi fazer um cartão de visita oferecendo meu serviço como marido de aluguel, e distribuía em todas as casas onde ia. Foi o começo. Larguei tudo, com a cara e a coragem e pensava: 'vou conseguir'”, lembra.

Deu tão certo que Marcelo decidiu se dedicar exclusivamente à nova profissão. O dinheiro, além de servir ao sustento da família, para a aquisição de um carro melhor e a construção da segunda casa, foi aproveitado para escolas de qualificação e compra de equipamentos. O número diário de atendimentos varia conforme a complexidade do serviço, que não cessa nos finais de semana e feriados. “Trabalho 24 horas, sem folga. Certa vez, uma cliente me ligou às 2h30 da madrugada porque estava com um pneu furado em Nova Lima. Estava em casa dormindo, mas fui lá e resolvi”.

A maioria da procura é de mulheres, idosas ou viúvas, mas Marcelo Batista também auxilia homens, casais, jovens solteiros, lojas, empresas e centros comerciais. Os preços cobrados partem de R$ 40 para consertar um chuveiro, e já alcançaram até R$ 12 mil, na ocasião da colocação de um piso de porcelanato em uma área de 170 m² (incluindo material, tempo e mão de obra). Para alcançar êxito, ele salienta que épreciso ter conhecimento técnico do trabalho, compromisso, e despertar confiabilidade. “Também estou sempre bem arrumado, com boa aparência”, conta o agora micro empreendedor, que aceita solicitações por Whatsapp e pretende ensinar o ofício para jovens da comunidade onde mora, no bairro São Lucas.

Para o francês Guy Joel, de 45 anos, a ideia de se tornar um marido de aluguel surgiu quando ele viu um anúncio em uma revista, no avião a caminho do Brasil, em 2011. Ele já havia se fixado na capital mineira entre 1996 e 2006, e neste período ganhava a vida como pintor decorativo e restaurador. Retornou à França por quatro anos e, quando escolheu voltar a Minas Gerais, desenvolveu a função quase que por acaso. “Antes, você tinha alguns problemas em casa e chamava um tanto de gente, cada um para resolver uma coisa. O marido de aluguel é diferente, ele é capaz de resolver qualquer coisa, e é uma pessoa só. Às vezes o marido “oficial” não tem tempo ou não sabe consertar aquilo, e ele mesmo acaba nos procurando”, diz. Com raio de atuação no Sion, Carmo, Belvedere, Anchieta, Cruzeiro, e proximidades, Guy atende em média entre seis e oito clientes por dia, para os serviços simples, mas chega a passar mais de um dia em um único trabalho. Cobra a taxa mínima de R$ 50. Para pequenas obras e reformas, conta com o apoio de três ajudantes. “Eu até parei de distribuir panfletos, porque a demanda aumentou muito e nunca é bom recusar um pedido. Mais da metade dos meus trabalhos surge por indicação”, afirma.

Qualidade e preço

Arquivo Docol/Divulgação


A vontade de ficar mais perto da família foi o impulso para Josemar Simão da Cruz, de 43 anos, investir no trabalho como marido de aluguel. Como funcionário de grandes empresas, costumava viajar sempre, mas estava insatisfeito e começou a prestar serviço por conta própria. Desde de 2004, é proprietário da empresa Marido de Aluguel em BH, com capacidade para acudir os moradores de toda a capital e cidades vizinhas. Com atendimentos agendados, ele garante que chega à casa do cliente em, no máximo, 24 horas. Uma peculiaridade: 80% das chamadas partem do público masculino. “Eles já sabem que, se não conseguem arrumar aquilo, a esposa vai reclamar e brigar. Então já me contratam diretamente”, brinca. Diante da escassez de mão de obra nesta área e a falta de disponibilidade de muitos dos profissionais que estão na ativa, Josemar ganha seu lugar com “qualidade, preço e pontualidade”, garante. Disponível durante a semana em horário comercial e aos sábados, casado e pai de três filhos, ele está pagando curso superior para se formar como engenheiro elétrico.

Anúncios do Lugar Certo

Últimas notícias

ver todas
05 de outubro de 2016
26 de setembro de 2016
23 de setembro de 2016