Livro reúne e detalha 25 projetos para a construção de Brasília

Os projetos foram criados entre 1927 e 1957, incluindo o vencedor: de Lucio Costa. Publicada com o apoio do Iphan, a obra traz um pedaço da história da capital

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 18/03/2015 11:07 Roberta Pinheiro /Correio Braziliense
Plano de Guimarães - Blocos horizontais, lâminas envidraçadas, edifícios sobre pilotis, verticalidade da vegetação e praças abertas são algumas das características desenvolvidas por esse projeto. Também se destaca a referência à arquitetura moderna, buscando compor espaços abertos e fechados a partir de elementos arquitetônicos. - Reprodução: Minervino Junior/CB/D.A Press Plano de Guimarães - Blocos horizontais, lâminas envidraçadas, edifícios sobre pilotis, verticalidade da vegetação e praças abertas são algumas das características desenvolvidas por esse projeto. Também se destaca a referência à arquitetura moderna, buscando compor espaços abertos e fechados a partir de elementos arquitetônicos.


Antes de o espaço de Brasília ser delimitado dentro do quadrado no Centro-Oeste, ideias eram concebidas para o que seria a nova capital do país. A história de Lucio Costa como vencedor do concurso de 1957 é mais uma entre os planos feitos desde 1927. Como seria Brasília se ela fosse uma capital dividida em pequenas cidades conjugadas, de 70 mil habitantes cada e separadas por áreas, com uma região voltada apenas para o governo local, outra para a saúde e outra para a educação? Esse é o projeto dos irmãos Roberto e um dos 25 estudos analisados pelo pesquisador e arquiteto Jeferson Tavares no livro Projetos para Brasília 1927-1957. A publicação, em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi lançada ontem no Cine Brasília e é uma das mais completas no tema.

Ao longo da formação do arquiteto, ele estudou traços e cálculos da idealização e da construção da capital. A pesquisa teve início em 1998 com um trabalho de iniciação científica, durante a graduação, e chegou até o livro. O primeiro croqui encontrado pelo arquiteto data de 1927. O material também revela uma historiografia da arquitetura e do urbanismo moderno no Brasil. Isso porque, os profissionais bebiam da mesma fonte. A maioria sofreu a influência similar, vinda, em grande parte, do urbanismo do século 19, dos socialistas utópicos, do arquiteto suíço Le Corbusier, entre outros. O próprio Lucio Costa se declarava um discípulo de Corbusier, que iniciou sua participação no Brasil com o Edifício do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro na época.

Polêmica

Plano dos irmãos Roberto e Plano de Cunha Camargo - A cidade dividida em células autônomas permite a aproximação ao lago, buscando manter a qualidade e o conforto ambiental para todos os moradores. Apesar de resultarem em desenhos diferenciados, a concepção celular e a sua adequação ao sítio são similares e correspondentes, excetuando a localização do Centro Administrativo. No plano dos irmãos Roberto, o centro situa-se junto das margens do lago; em Cunha e Camargo, fica próximo ao ponto mais elevado. - Reprodução: Minervino Junior/CB/D.A Press Plano dos irmãos Roberto e Plano de Cunha Camargo - A cidade dividida em células autônomas permite a aproximação ao lago, buscando manter a qualidade e o conforto ambiental para todos os moradores. Apesar de resultarem em desenhos diferenciados, a concepção celular e a sua adequação ao sítio são similares e correspondentes, excetuando a localização do Centro Administrativo. No plano dos irmãos Roberto, o centro situa-se junto das margens do lago; em Cunha e Camargo, fica próximo ao ponto mais elevado.


Entre os conceitos usados pelos projetistas destacam-se a ideia do urbanismo ecológico de origem americana, do urbanismo racionalista, da cidade jardim e da cidade linear, além da valorização do centro da capital. “O livro traz uma riqueza de referências urbanísticas muito maior. Os críticos, por exemplo, colocam a forma de cruz do Eixo como algo inovador de Lucio Costa, mas ela está presente em quase todos os planos”, exemplifica Jeferson. Ele trabalha em três frentes: demonstra a longevidade do desejo de transferência da capital, desmistifica a ideia de que a escolha do projeto de Lucio Costa foi unânime e mostra que outros estudos tinham consistência e méritos para vencer o concurso.

Leia mais notícias em Últimas

Desde os bastidores da competição até hoje, existem especulações sobre o prêmio que Lucio Costa conquistou. Na avaliação de Jeferson, Costa resumiu de forma clara e simples os anseios da época. “Tecnicamente, ele permeava a cultura urbanística brasileira e abandonava planos regionais complexos. Trazia tudo de uma forma coerente.” O autor destaca, no entanto, que vários projetos são interessantes e competentes, por isso, merecem um cuidado maior da historiografia. Entre os preferidos do pesquisador estão, além do dos irmãos Roberto, o de José Geraldo da Cunha Camargo, o de Pedro Paulino Guimarães e o de Vila Nova Artigas. “O de Paulino é peculiar e atual. Ele trata das questões ambientais e de sustentabilidade. Já o de Artigas traz questões sociais, como o cuidado com a habitação dos operários”, descreve.

Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Carlos Carpinteiro, alguns planos dos anos iniciais são muito ruins, porque foram feitos quando não havia uma definição da localização de Brasília. Outros são importantes, principalmente, para estudo e pesquisa. “Existem projetos com boa qualidade técnica, mas nenhum reunia os fatores de facilidade para a construção de Brasília, como o de Lucio Costa”, afirma. Na opinião de Antônio, além do estudo dos irmãos Roberto, os traços e as ideias do arquiteto Rino Levi são ousados tecnicamente. “Ele previa prédios com 70 pavimentos e ruas elevados, o que era pouco viável socialmente”, comenta.

A publicação também traz um debate do ponto de vista prático já que mostra tanto o que foi concebido como o que foi, de fato, construído. Os projetos revelam formas diferentes de tratar o mesmo assunto e, para o autor, oferece alternativas para enfrentar os atuais problemas da cidade. “Esse trabalho tem como fonte uma extensa pesquisa sobre todos os projetos que foram feitos para Brasília até 1957. Além da pesquisa histórica, que resgata informações que estavam, de alguma maneira, dispersas, faz uma análise profunda dos antecedentes históricos, urbanísticos, culturais e políticos que traziam consigo a ideia de criação de uma nova capital do Brasil”, avalia o diretor de Articulação e Fomento do Iphan, Luiz Philippe Torelly. Até então, o instituto tinha o registro de apenas 13 projetos. Segundo Torelly, o mais importante do livro é que ele demonstra que Brasília é uma cidade histórica e não o resultado de um simples concurso, mas de uma trajetória anterior, de um processo histórico longo e que trouxe benefícios para o Brasil.

Parceria

Iphan e Governo do Distrito Federal assinaram um acordo de cooperação técnica para estabelecer procedimentos e estratégias para a gestão compartilhada do Conjunto Urbanístico de Brasília. Ele tem como objetivo instituir uma gestão em parceria da área tombada da capital, somando esforços e dividindo compromissos e responsabilidades entre a União e o Distrito Federal. As metas do acordo envolvem a instituição de uma política integrada de preservação da área, a promoção e a valorização do Conjunto Urbanístico de Brasília como Patrimônio Nacional e Cultural da Humanidade, além do desenvolvimento de programas, projetos e normas de interesse comum à preservação do Conjunto Urbano.

Reprodução: Minervino Junior/CB/D.A Press


Projetos para Brasília 1927-1957
Autor: Jeferson Tavares
Editora: Iphan/MinC dezembro/2014
506 páginas



Anúncios do Lugar Certo

Últimas notícias

ver todas
05 de outubro de 2016
26 de setembro de 2016
23 de setembro de 2016