Utilizar materiais e procedimentos inadequados pode comprometer a saúde das edificações

Fazer intervenções no imóvel sem supervisão de um especialista representa um grande risco

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postado em 15/04/2015 08:04 / atualizado em 14/04/2015 16:34
Dizem que o Brasil é o país das gambiarras, o que parece ser verdade, pois o que se vê de coisas erradas sendo feitas em determinados imóveis é de dar medo, seja por economia ou desleixo mesmo. O engenheiro Flávio Figueiredo, diretor da Figueiredo & Associados Consultoria, ressalta que são muitos os perigos da “automedicação” nas edificações. “As manifestações patológicas não ocultadas podem funcionar como indicadores das reais condições de segurança das edificações, além de fornecer pistas para o diagnóstico de sua origem. Essas são duas importantes razões para que não sejam maquiadas com o uso de materiais e procedimentos inadequados.”

Paulinho Miranda/Ilustração
Ele diz que as gambiarras mais comuns são a troca de disjuntores por outros com maior amperagem, quando os originais desarmam com frequência em razão de excesso de carga. “Em outros casos, é comum ver trincas ou bolores escondidos por papel de parede; aplicação de argamassa em peças de concreto armado, sem critério técnico definido, para encobrir armaduras oxidadas; ocultação de marquises ou outras estruturas em concreto armado deteriorado atrás de belas fachadas decorativas, em vidro ou alumínio, por exemplo; e emendar tubulações com fitas adesivas ou massa plástica.”

O especialista salienta que os acidentes, em sua maioria, não são imediatos, não ocorrem no momento em que são realizadas as intervenções. “Esses podem ocorrer devido à deterioração precoce na edificação ou em seus sistemas. Casos comuns são os danos às instalações elétricas, que podem causar curto-circuitos, queima de equipamentos eletrônicos e, até mesmo, incêndios em móveis, cortinas e cômodos inteiros. Também são comuns as intervenções indevidas no sistema hidráulico. Em muitos casos, os remendos feitos em tubulações estouram e resultam na inundação do imóvel. Uma intervenção grave é retirar ou alterar paredes em cômodos, podendo causar sérios danos estruturais e até o desabamento da edificação. Todos esses exemplos causam prejuízos materiais e pessoais que podem ser muito sérios, dependendo da imprudência de quem realiza a intervenção inadequada. O certo é sempre contar com a orientação de profissionais habilitados.”

Quanto à fiscalização, o engenheiro ressalta que, quando se trata de pequenas intervenções, é raríssimo que esta ocorra, como se dá nas grandes obras, pelo poder público. “O que deveria haver nos edifícios é uma fiscalização efetiva nas unidades por parte dos responsáveis pelo condomínio”, alerta. Flávio diz que essas providências podem até afastar dos olhos manifestações patológicas não agradáveis, mas não eliminam suas origens. “Muitas vezes, as patologias são até agravadas ou continuam a se desenvolver de forma oculta e, de um momento para outro, se manifestam com intensidades tão relevantes a ponto de levar a construção à ruína. Toda e qualquer intervenção em edificações deve ser realizada com orientação de profissionais habilitados, assim como se deve fazer com a saúde. Só tome remédios depois de receber a devida orientação de um médico”, aconselha.

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Mas, por que então as pessoas não procuram fazer a coisa da maneira correta? Flávio explica que a primeira razão é achar que são autossuficientes. “Para resolver pequenos problemas, elas acreditam que não precisam de orientação de especialistas. São razões culturais, da mesma forma que ocorre com a automedicação. A pessoa está com uma dor na perna e logo vai à farmácia para comprar anti-inflamatórios, sem saber os riscos que corre tomando aquele remédio sem a indicação de um médico. Outra razão é que, na maioria das vezes, as pessoas não entendem a gravidade daquilo com que estão lidando. Ninguém vai ao engenheiro eletricista perguntar se pode colocar, por exemplo, três adaptadores em uma só tomada para ligar diversos equipamentos, mas não sabe que dessa forma pode causar um incêndio. Obviamente, há também as razões de ordem econômica. As pessoas tentam economizar, fazendo tudo por conta própria, mas acabam correndo riscos por conta disso”, alerta o especialista.

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