Salão Internacional do Móvel, em Milão, chega à 54ª edição com as últimas tendências do design

A maior mostra do mundo aconteceu em abril e antecipa o que vai ditar a moda na decoração na temporada

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postado em 01/06/2015 11:22 / atualizado em 01/06/2015 11:27 Joana Gontijo /Lugar Certo
Referências da natureza estiveram muito presentes na maior mostra de decoração do mundo - Olivier Morin/AFP Referências da natureza estiveram muito presentes na maior mostra de decoração do mundo


Mesmo antes de começar, o evento faz a cidade borbulhar criatividade e novidade por todos os lados. Durante a semana especial que acontece todos os anos em abril, Milão se dedica ao viver bem e, reunindo os lançamentos mais relevantes do mercado mundial, antecipa o que vai ditar a moda no universo do design e da decoração na temporada. Em 2015, o Salão Internacional do Móvel chegou à 54ª edição, com 1.363 expositores, entre 989 italianos e 374 estrangeiros, e foi visitado por 300 mil pessoas, de 160 países. Com a euforia pela proximidade da Exposição Universal, iniciada logo depois, as mentes férteis deram tudo de si e orquestraram um verdadeiro espetáculo para transformar o lar, enquanto a indústria, livre, leve, solta e longe de crise, expandiu a imaginação para esbanjar cor e ousadia nas vitrines. Para os amantes e entusiastas da área, ou para quem simplesmente gosta de conforto, o salão, no mínimo, alimenta a inspiração para incorporar ao próprio recanto o melhor das tendências que já estão pipocando por aí.

Em 2015, foram mais de 300 mil visitantes, de 160 países  - Olivier Morin/AFP Em 2015, foram mais de 300 mil visitantes, de 160 países


A mostra, explica a arquiteta Angélica Araújo, nasceu em 1961 para abrir a produção italiana de móveis e complementos ao exterior e hoje, como referência global do segmento, alcança um significado estendido, ao promover debates importantes acerca do modo de vida contemporâneo, ressalta. A profissional esteve em Milão este ano e, dentre as direções que conseguiu identificar, cita a procura das empresas pela diferenciação a partir das expressões culturais e das técnicas artesanais, que unem mão e motor para conceber um novo design - ele agora, diz, precisa ir além da forma e da função dos objetos, e pode redefinir os reais anseios da sociedade. “Os institutos de pesquisas de tendências apontam o design como o grande agente do século 21, como a maneira que a indústria tem de se sobressair. Os designers são os responsáveis por criar produtos que se diferenciem, e é na raiz da cultura e no fazer artesanal que conseguem isso, interferindo nas máquinas e explorando novas linguagens que não mais dissociam a tecnologia do que está na essência”, afirma.

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Clássico e contemporâneo, vintage e experimental, mistura de formas e materiais, múltiplas leituras. O hibridismo é para Angélica outro hit do momento. “A miscigenação de ideias, de todo o mundo. Um forte conceito do design atualmente é que as diferentes áreas do conhecimento interajam para alcançar o resultado mais positivo.” A arquiteta também observou claramente no evento a reverência ao design consagrado, a partir dos emblemas da Bauhaus, que apareceram revisitados em belas reedições. “Os clássicos do design ganharam frescor e uma apresentação criativa. A indústria perpetuou as lições dos grandes mestres em novos materiais e paletas cromáticas, otimizando a produção e reverenciando ícones. Outra macro tendência é a personalização, elementos que tenham a cara do dono, que se adaptem às necessidades do consumidor, à sua casa e ao seu espaço”, complementa, sem deixar de mencionar a presença cada vez mais marcante de etiquetas famosas nas passarelas na decoração, que já apostam em coleções exclusivas de mobiliário.

O charme retrô da década de 1970 emprestou seu perfume para peças que, de antigas, não têm nada, acrescenta a designer de interiores Dodora Gontijo, que também participou do salão. As linhas arredondadas tão comuns do período surgiram modernas em sofás e poltronas e, de uma maneira geral, as formas macias, sinuosas e orgânicas dominaram os estandes em diversas aplicações, abolindo a quina viva que estava em voga para conferir aconchego, descreve. Dodora percebeu ainda mesas um pouco mais baixas e muita madeira clara. Entre as tonalidades mais vistas pela feira, o caminho, salienta, é pelas cores primárias e suas derivações, essencialmente as suaves candy colors, com o azul como protagonista em mais de 50 nuances, deixando as pontuações de amarelo indicarem o próximo tom que deve estourar no design. “Há opções para continuar no neutro mais comum, como o cinza e o bege, mas tem sempre detalhes coloridos em quadros, papéis de parede, adornos. Destacaria, além do azul e amarelo, laranja, vermelho, rosa palha, verde, e as cores terrosas.”

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Os materiais também são motivo de inspiração. Mármore, vidro, pedra, bronze e latão, de clássicos, passam a um cenário contemporâneo graças a recentes sofisticações técnicas. A arquiteta Marina Dubal, que foi a Milão participar da mostra pela primeira vez, destaca a presença do dourado e do cobre, principalmente em detalhes de finalização de móveis e acessórios, que deixa de lado a prata recorrente há algum tempo. Outra estrela do Salão do Móvel em 2015, pontua, o mármore esbanjava toda sua versatilidade, compondo mesas, aparadores, cadeiras, tampos e diversas peças com cores diferentes, desde marrons, brancos e negros a opções azuladas e esverdeadas. “Vi também o couro em usos modernos e harmônicos, tapetes fluidos, bem coloridos e tecnológicos, até feitos com plotagens, muito grafismo e geometria nas estampas, e a busca por uma estética única com as estruturas metálicas aparentes que assumiam o esqueleto do móvel e tiravam partido disso”, relata. O verde apareceu com intensidade em Milão, com referências naturais ou em reproduções de plantas, flores e figuras de animais .

Marina fez parte da comitiva organizada pela Lider Interiores para visitar o Salão do Móvel, que reuniu os diretores criativos da marca, André Bastos e Guilherme Leite Ribeiro, do estúdio Nada se Leva, arquitetos e designers parceiros, e executivos da empresa. Para o gerente de marketing da Lider, Tiago Nogueira, estar em Milão é uma experiência completa e ultrapassa os corredores da feira, já que a cidade inteira vive a atmosfera do design com os acontecimentos paralelos que se espalham pelas ruas. Além da passagem pelos estandes, o grupo pôde participar de eventos, lançamentos de coleções, aproveitou o circuito do comércio (que por si só é uma atração em particular), viu exposições e intervenções de arte, encontrou jovens talentos e prestigiou, em terras italianas, o melhor do design brasileiro, com o contato com o trabalho de Zanini de Zanine, Guto Indio da Costa, dos Irmãos Campana e de Jader Almeida, sem contar a participação em uma palestra especial da Fiemg em universidade local.

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“Mais do que participar do evento, ir a Milão nos traz um olhar extremamente contemporâneo sobre o uso dos materiais e formas do mobiliário, e tudo mais que envolve a casa. Reparar a cenografia das empresas e como elas montam os showroons é enriquecedor, pensando enquanto loja. Em espectro ampliado, perceber o design do Brasil lá fora, trocar ideias e enxergar pontos de vista distintos, em um lugar onde o mundo inteiro se encontra, eleva a experiência. Temos durante o salão um fonte infinita de novos produtos e conceitos para agregar no cardápio da Lider”, finaliza.

Olivier Morin/AFP

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