Designers radicados em Brasília fazem sucesso com suas criações, algumas inspiradas na capital

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Aqui, a praticidade do berço que se faz cama, criação do romeno Horia Georgescu - Horia Georgescu/Divulgação Aqui, a praticidade do berço que se faz cama, criação do romeno Horia Georgescu
05/04/2010 - Uma sala de jantar perfeita não está completa se uma mesa perfeita não lhe for dada. O churrasco do domingo não tem o mesmo sabor se aquela piscina pensada, desenhada e construída centímetro por centímetro não tiver à sua volta mesas e cadeiras que convidam a uns momentos de preguiça. É fato: a casa dos sonhos só existe quando o mobiliário dos sonhos também está ali. E na cidade que carrega o status de obra-prima de Oscar Niemeyer, designers se apropriam da inspirada arquitetura local para desenhar móveis, que ganham cada vez mais reconhecimento.

“Brasília é uma cidade muito rica culturalmente, é um privilégio para um artista viver num lugar como esse”, avalia a arquiteta e designer Yeda Garcia, que é presidente da Associação Brasiliense de Designers de Interiores (Abradi). Parece que essa riqueza cultural tem rendido bons resultados ao setor moveleiro e de decoração da capital. A Revista foi conhecer de perto o trabalho de três designers da capital.


Uma coisa que vira outra

Horia Georgescu é romeno, criado na Alemanha e formado em arquitetura pela Universidade Técnica de Munique. Há cinco anos, ele deixou para trás a Europa e aterrissou em Brasília. Pensando em espaços pequenos, o arquiteto busca a praticidade, como a presente na linha Grilo, feita em 2006, e recebida com sucesso pelo público. A mesa, com tampo duplo, ganha dimensão quadrada quando está aberta; e a cadeira de traços minimalistas também se desdobra para virar um banco de dois lugares. O trabalho quase sempre surge da observação de necessidades particulares. O berço que vira cama de casal, por exemplo, foi criado para a filha. Com referências amplas, que vão do clássico ao contemporâneo, as peças de Georgescu são em sua maioria confeccionadas com madeira brasileira.


Lá da infância

A preocupação com a situação ambiental é a principal matéria-prima do designer mineiro que há três décadas largou o mundo financeiro e adotou a capital como cidade do coração. Os móveis de Tunico Lages são feitos com madeira morta do cerrado, certificada ou de reaproveitamento. As peças de madeira ganham vidro, acrílico ou ferro, resultando em peças que unem o rústico ao contemporâneo. As inspirações do artista são vivas, ligadas a emoções e a lembranças da infância, que imprimem humor e conforto às suas criações. Já há algum tempo o trabalho do designer é bem recebido em feiras e exposições em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília. Agora, a beleza das formas orgânicas e ecologicamente corretas caiu também no gosto de políticos e estrangeiros e enfeita embaixadas e escritório sediados na capital.


O ócio criativo (e confortável)

A cada peça confeccionada, Lisianne Sandri se esforça para acabar de vez com a história de que móveis de áreas externas feitos com fibras têm que ter sempre a mesma cara. As fibras sintéticas da gaúcha radicada em Brasília unem-se em cores e tramas exclusivas e dão forma a cadeiras, poltronas, mesas e espreguiçadeiras que aliam modernidade e conforto. Quem visita o ateliê da designer nem imagina que há apenas cinco anos ela se ocupava de burocracias e planilhas num escritório de turismo. Neste mês, a designer dá início a uma parceria com alunos de desenho industrial da UnB para homenagear o cinquentenário da capital do país. A ideia é que eles projetem peças com inspiração nos 50 anos de história da cidade, que depois serão colocadas em prática pela artista e expostas na feira de móveis da Associação Brasileira das Indústrias de Móveis da Alta Decoração (Abimad) que ocorre em São Paulo no mês de agosto.



De lá para cá

Cadeira São Paulo, criação famosa de Carlos Motta, design que mostrará seu trabalho em Brasília  - Carlos Motta/Divulgação/D.A Press Cadeira São Paulo, criação famosa de Carlos Motta, design que mostrará seu trabalho em Brasília
A prova de que Brasília tem ganhado destaque quando o assunto é design de móveis é que, além de abrir cada vez mais espaço para seus artistas, a capital atrai também nomes já reconhecidos internacionalmente. Um deles é Carlos Motta, que reinventa, com linhas mais modernas e atuais, a mobília tradicional brasileira a partir do uso de madeira nobre, de reaproveitamento e certificada. As criações do arquiteto, que trouxe do surfe e da paixão pela pescaria suas maiores inspirações, já enfeitam hoje alguns monumentos da capital. A cadeira São Paulo, por exemplo, uma das criações mais premiadas de Motta e já considerada um clássico do design brasileiro, faz parte da mobília do Palácio da Alvorada. Essa e outras peças do arquiteto integram o acervo de alguns museus do Brasil e do mundo. O trabalho de Motta chega agora ao público brasiliense pela Hill House. O lançamento da coleção será na terça-feira.


Concursos

Design premiado

» Até junho, dois concursos que vão premiar novos talentos do design brasiliense estarão com inscrições abertas. Um deles é o Prêmio Abradi de Design de Móveis, que este ano faz sua primeira edição e pretende revelar nomes do mercado moveleiro da cidade. As inscrições podem ser feitas de graça por meio do site www.abradidf.com.br até 24 de junho. Para concorrer, os projetos precisam ser inéditos e de pessoas residentes em Brasília. Os trabalhos vencedores serão transformados em protótipos pela Líder Interiores.

» O segundo é o Concurso de Design de Interiores promovido pelo Brasília Palace Hotel. A iniciativa é uma homenagem aos 50 anos da capital e ao mentor da obra do hotel, Oscar Niemeyer. Os interessados terão que projetar ambientes que dialoguem com as obras do arquiteto. As inscrições poderão ser feitas pelo site www.plazabrasilia.com.br entre 15 de março e 14 de maio apenas por profissionais com registro no conselho da classe. O vencedor leva um prêmio de R$ 8 mil e terá o projeto realizado.


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