Artesanato oferece diferencial para decoração

Conheça alguns artesãos que fazem peças de arte exclusivas e que passam longe de uma linha de montagem.

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postado em 01/08/2011 09:16 / atualizado em 01/08/2011 09:34 Da Redação - Correio Braziliense
Desde criança, o arquiteto Estevam Strauss, 66 anos, cultiva sua sensibilidade artística. “Costumo dizer que a gente não escolhe ser artista, nascemos com esse defeito de fabricação”, afirma. Há 30 anos, no fim do expediente de um órgão público, o arquiteto foi à uma loja de pintura e comprou tintas e telas. Foi uma urgência de se expressar que se apresentou de forma imperativa: precisava colocar para fora, em forma de arte, o que sentia.

Depois de 23 anos pintando telas, surgiu o desafio de fazer uma escultura de madeira. “Uma amiga que fazia as molduras dos meus quadros fez essa provocação, inclusive me deu algumas pranchas de madeira. Eu ainda não tinha nenhum equipamento, improvisei um ateliê e fui fisgado. Nunca mais parei”, lembra. O arquiteto deixou de lado as telas e, agora, só trabalha com esculturas interativas, feitas com réguas de madeira maciça que são numeradas, montadas e polidas uma a uma.

Para fazer cada peça, o arquiteto leva entre um mês e quatro meses, e aceita encomendas. “Quando recebo um tema, nunca digo que vou fazer. Tenho que deixar aquilo cair dentro de mim e espero para ver se aquilo vai realmente acontecer. Meu trabalho é, sobretudo, um trabalho que vem de dentro”, afirma.

As esculturas no jardim, na portaria, no hall, etc. testemunham o trabalho incansável da artesã Ambrosina Coradi, 68 anos. Ao se aposentar como professora, Ambrosina resolveu fazer cursos de arte e frequentou a Faculdade de Arte Dulcina de Moraes, famosa na cidade. Uma das aulas era a de modelagem no barro, atividade que encantou a aposentada.

A principal inspiração da artesã é a família. A maioria de suas esculturas representa mães e filhos ou relacionamentos. A produção de cada peça demora cerca de um mês, e pode ser executada em cerâmica ou bronze. A nova empreitada de Ambrosina é a produção de quadros com pequenas esculturas agregadas. Aproveitando a habilidade na costura, a aposentada faz algumas peças em cerâmica com roupa de pano. O trabalho da artesã já ultrapassou os limites do país e representou o Brasil em uma exposição na Itália.

A artista plástica paulistana Patrícia Henriques, 35 anos, resolveu trabalhar com cerâmica na faculdade. “Foi a linguagem que mais me destaquei. Com ela, consigo executar e realizar todas as minhas ideias”, conta. A artista plástica gosta da cerâmica pela dificuldade técnica em produzir ornamentos e transmitir leveza. Os trabalhos de Patrícia são inspirados nas belezas da natureza e no universo de alguns escritores, como Viviane Mosé, Mia Couto e Manoel de Barros. Os painéis e vasos em formatos de árvores, pássaros e outros animais demoram de 15 a 30 dias para ficar prontos. “Todo meu processo é manual, as peças são feitas uma a uma, sem moldes”, explica.
A poesia também tem grande influência no trabalho da artista plástica. A maioria das peças conta com um pequeno texto que trata do cotidiano. “Gosto das peças com textos, que sejam divertidos ou poéticos. São sobre as múltiplas saudades que sentimos, dos amores, das amizades, das brincadeiras entre os amigos... Procuro, em cada peça, pedaços de convivências”, afirma Patrícia. Ela conta que escreve alguns poemas enquanto faz as peças e os guarda até achar uma forma de casar as duas linguagens.

Rosana Victor, 48, é uma artista recifense que mora há 7 anos em Brasília e trabalha com arte há muito tempo. Atualmente, tem investido em malas, porta-controles remotos e bandejas. Bolsas personalizadas também estão em seus planos. Rosana pintava quadros, mas, a pedido da filha, fez a primeira frasqueira. “Ela pediu e, olhando essa onda retrô, comecei a desenvolver as malas. Eu quis misturar o antigo e o novo na mesma peça”, conta. A técnica de decoração foi criada pela própria artesã, que também se encarrega da estrutura das peças: faz desde o corte do MDF, até montagem e a decoração.

No preparo das malas, é usada fórmica reciclada de garrafas pet e couros ecológicos e sintéticos coloridos, para imitar pele animal.

A artista acredita que o diferencial do artesanato é reinventar e personalizar o que já existe. “Para diferenciar, faço estampas bem diferentes, de formas, cores e materiais ainda não usados. Inclusive, corto a fórmica na hora para garantir que cada peça seja exclusiva”, afirma.

A Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade recebe, até o dia 07 de agosto, a 5ª Exposição de Mesas Decoradas, promovida pela Associação Brasiliense de Arte em Porcelana (ABAP). A exposição traz 18 mesas, decoradas por artistas da capital, com o tema Europa. A mostra funciona diariamente, das 8h às 20h. A entrada é franca. Informações: (61) 3245-1070.

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