A forma do século 21: não basta ser bonito, tem que ter estilo

A questão estética deixou de ser a marca fundamental do design. No século 21, a forma está aliada a outros preceitos: além de sustentáveis, os produtos devem prestar serviço e despertar a emoção. A preocupação com a mobilidade urbana e a onda retrô são outros pontos fortes

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postado em 01/07/2013 09:52 / atualizado em 01/07/2013 10:20 Maria Júlia Lledó /Correio Braziliense
Por muitas décadas - da Revolução Industrial ao fim da Segunda Guerra Mundial -, a sociedade consumiu tudo o que era fabricado como bem necessário ao cotidiano. Objetos relegados apenas a um objetivo: cumprir uma função. Até que um novo conceito se abrigou entre as prateleiras. Acompanhando o crescimento econômico dos países, o poder aquisitivo da população, o desenvolvimento de novos materiais e da tecnologia, o design de produto passou a atender não só a lista de compras, mas a oferecer ao consumidor um encantamento. Para o sociólogo francês Jean Baudrillard, o design não tem outra meta a não ser devolver aos objetos industriais o aspecto lúdico, escreveu em A sociedade de consumo, publicado em 1970. Fosse ele direcionado à criação de uma cadeira, de uma garrafa de refrigerante, de uma caneta ou mesmo de um espremedor de frutas, o design revolucionou a forma como pensamos e passamos a consumir.

Em consonância com a cena cultural, socioeconômica e comportamental da sociedade, o design de produto ajusta-se aos ponteiros do relógio e lança novas características ao longo dessas duas últimas décadas. Entre alguns fatores que permeiam a criação de novos objetos estão: a necessidade de pensar em uma cadeia sustentável, da concepção e execução ao descarte; a preocupação em atender múltiplas necessidades simultaneamente, caso dos celulares inteligentes; lidar com as infinitas possibilidades proporcionadas pelo avanço da computação, dado o exemplo da impressão 3D. Por isso, nesta sexta reportagem da série "Nosso Tempo", ajustamos o foco para os produtos e os protagonistas capazes de nos ajudar a refletir sobre o que se cria e se pensa sobre design neste século.

Designers

Eles cresceram sentados em frente ao computador, com a certeza de que o mundo está, de fato, ao alcance dos dedos, dada a velocidade da internet. Apreendem novos contextos, relacionam-se com diferentes culturas e, principalmente, dominam a tecnologia, ferramenta indispensável à criação. São eles, jovens designers a imprimir uma assinatura que, a partir de propostas autorais, fortalecem dentro e fora do país o design brasileiro para além dos já renomados irmãos Fernando e Humberto Campana. A exemplo da dupla que conseguiu imprimir um "estilo verde-amarelo" mundo afora, essa nova geração também se volta às idiossincrasias da cultura nacional, matérias-primas e modo de pensar, sem apelar para o óbvio. No tablet ou no moleskine desses criadores, o design brasileiro ganha o reforço de novos olhares. Entre alguns nomes, destacam-se:



Bernardo Senna

Nascido no Rio de Janeiro, Bernardo Senna participou da criação da primeira revista brasileira de design on-line, a Novo Conceito. Entre 2004 e 2006, coordenou o CentroDesignRio e, em 2005, foi convidado a representar os designers da sua geração no Salão Maison et Objet em Paris. Apesar de trabalhar com criações em larga escala, para grandes empresas nacionais e estrangeiras, o designer surpreende aqueles que compram seus produtos, seja pelo uso de novos materiais, seja pelas soluções, seja pela tecnologia. A estante Torta, peça que desenhou em 2000 para a Tok & Stok, foi um dos projetos que, segundo o próprio designer, permitiu uma compreensão do que ele realmente buscava ao trabalhar com design.



Brunno Jahara

Com um pé no Rio de Janeiro, onde nasceu, e outro em São Paulo, onde trabalha, Brunno Jahara apresenta uma visão própria, e bem brasileira, na assinatura de suas peças. Em seus desenhos, frequentemente, misturam-se formas orgânicas com inspiração tropical, a partir de uma diversidade de materiais. Caso da coleção Batucada, apresentada no Salão do Móvel de Milão em 2010. São vasos, tabuleiros, candeeiros e luminárias com cara de metal amassado de tanto batuque. Coloridos, os objetos de alumínio anodizado (processo que conferiu resistência ao material) chamam a atenção pela singularidade da forma, do uso de materiais recicláveis e de uma apropriação da cultura dos morros cariocas.



SuperLimão

A partir de um processo empírico, os designers Antonio Carlos Figueira de Mello, Thiago Rodrigues, Lula Gouveia e Sérgio Cabral, do estúdio paulista SuperLimão, dão vida ao mobiliário. Traduzindo: eles deixam mesmo a peça tomar chuva, sol, vento e o que tiver que acontecer até chegarem ao resultado desejado. Preocupados com o impacto ambiental e social, os sócios prezam por materiais pouco comuns, como descartes industriais. É deles, inclusive, o projeto do banheiro do apartamento de Humberto Campana, no qual as tubulações ficam aparentes. Fundado em 2002, o estúdio cria móveis premiados, caso da cadeira feita de chapa de papelão prensado, primeira invenção do coletivo. Do lixo para o ateliê, o papelão ganhou um tratamento estético e se tornou um dos objetos mais requisitados do SuperLimão.



Zanini de Zanine

Designer carioca, Zanini de Zanine cresceu em meio a artistas plásticos, designers e compositores brasileiros. Um cenário que não poderia responder a outra coisa senão pelas criações orgânicas, criativas e contemporâneas do seu ateliê. Filho do designer José Zanine Caldas, tomou gosto pela madeira ao acompanhar o trabalho do pai e decidiu dedicar-se ao design de móveis, após um estágio com Sérgio Rodrigues. A partir de 2003, quando concluiu o curso de desenho industrial, Zanini deu início à produção de móveis feitos de madeira de demolição (colunas, vigas e mourões de casas antigas), que logo foram batizados de “Carpintaria Contemporânea”. Dois anos depois, criou uma nova linha de móveis feitos a partir de plástico, metacrilato e metais. Entre algumas das peças destacadas pelo próprio designer como significativas, está a poltrona Balanço, criada para a marca francesa Tolix e apresentada no Salão Maison et Objet em Paris no ano passado.

Tags: construtora

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