Ponto a ponto com Zanini de Zanine, designer

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postado em 01/07/2013 10:06 / atualizado em 01/07/2013 10:21 Maria Júlia Lledó /Correio Braziliense
Sustentabilidade

"O papel de design de alguma forma é proteger o seu ambiente de vivência. Então, quando você cria um produto, deve-se pensar que ele vai ser duradouro e não virar lixo, mas também pensar que haverá um processo de descarte. Ser sustentável virou um pré-requisito. Infelizmente, na Europa, essa preocupação ainda é mais forte que aqui."

Design brasileiro lá fora

"Desde que me formei, vejo um salto grande do nosso design, principalmente porque o país se equipou. Temos fábricas com máquinas de última geração e um produto brasileiro competitivo em desenho e qualidade. O reflexo dessa imensidão de país torna difícil ressaltar uma única linguagem brasileira. O que precisamos observar é que temos designers de norte a sul, fora do eixo urbano RJ-SP, que merecem ser vistos."

Momento atual

"O que sinto dessa geração é uma autoestima muito grande para não só retratar nossas qualidades, como também nossos defeitos. Antes, havia um excesso de cópias de produtos estrangeiros que determinavam o mercado. Acredito que, quando você é fiel ao seu país, à sua cidade, ao seu bairro, você tem mais chance de mostrar seu diferencial e de ser único. São essas diferenças que, lá fora, eles estão buscando."

(Reprodução Internet)


Christian Ullmann

"Não são produtos sustentáveis. Busco produtos com menor impacto ambiental e maior impacto social", já disse, em entrevistas, o especialista em design sustentável Christian Ullmann, designer argentino residente no Brasil desde 1996. Membro fundador da Rede Latinoamericana de Design Sustentável — Red Alebrije, Ullmann adotou o Brasil e suas singularidades como próprios. Crítico aos padrões de consumo da sociedade contemporânea, o designer usa produtos naturais — como bambu — na criação de cadeiras, bancos e outras peças que já ganharam prêmios nacionais e internacionais.

(Formafantasma/Divulgação)
 

Andrea Trimarchi e Simone Farresin, do estúdio Formafantasma

Italianos residentes na Holanda, os designers Andrea Trimarchi e Simone Farresin compõem o estúdio Formafantasma. A dupla, graduada em design de produto há quatro anos, concluiu o curso com um trabalho sobre o artesanato siciliano. Ao explorar o papel da tradição no design contemporâneo, a dupla alia saber popular e tecnologia durante o processo criativo. Em março de 2011, por exemplo, o Formafantasma ficou entre os 20 mais promissores estúdio de jovens designers, segundo a curadoria de design do Museu de Arte Moderna (Moma) de Nova York.

(Reprodução Internet)


Ronan e Erwan Bouroullec

Eleitos designers do ano no Salão do Móvel de Milão, os irmãos franceses Ronan e Erwan Bouroullec inovam na criação de produtos voltados à arquitetura de interiores. Ainda que parceiros de grandes marcas internacionais (Kartell, Vitra e Issey Miayke), eles não abandonam o experimentalismo. Em 2004, criaram um dos ícones do século 21: o sistema de divisórias moduláveis batizado de Algas. Outra peça de destaque, a poltrona Quilt (foto) trabalha com uma experiência sensorial, desta vez, na forma de uma confortável poltrona feita de tecidos hi-tech.

Um por todos e todos pelo coletivo

Nessa nova geração de designers, trabalhos solos ou de coletivos respondem por uma característica em comum: empreendedorismo. Eles arregaçam as mangas, criam, elaboram, vendem seus produtos em páginas da internet e instigam o público pelas redes sociais. “São jovens que abrem suas próprias start-ups ou empresas incubadas, uma vez que o avanço tecnológico, no que se refere à impressão 3D, por exemplo, permite que a criatividade extrapole e seja possível confeccionar essas ideias sem passar por grandes indústrias”, analisa o designer Jorge Lopes, professor da PUC-RJ. No Brasil, figuram entre alguns coletivos de destaque: Lattoog Design (Rio de Janeiro), da dupla carioca de designers Leonardo Lattavo e Pedro Moog; OL! Os Loucos (São Paulo), do arquiteto Luciano Araujo e do designer Marcelo Alves; Fetiche Design (Curitiba), dos designers Carolina Armellini e Paulo Biacchi; e Zereses (Rio de Janeiro), formado pelos designers Henrique Meyrelles, Hugo Galindo, Luiz Eduardo Rocha e Victor Lanari.

Produtos

Não é fácil, ou melhor, trata-se de uma missão arriscada definir se um produto de design é ou não ícone de um período. Essa tarefa requer mais do que a constatação de prêmios ou de elogios da crítica. Até mesmo porque essa qualidade ganha mesmo legitimidade com o resguardo do tempo. Também há a necessidade de uma análise do impacto provocado por determinado objeto na sociedade através das décadas. Salvo essas considerações, com auxílio de especialistas, lançamos mão de algumas apostas que possivelmente entrarão no hall de peças que marcaram o design de produto deste século.

(Spirit/Divulgação)


2001 — Ventilador Spirit, de Guto Índio da Costa

Feito da mesma matéria-prima que compõe as janelas dos aviões e os escudos policiais — policarbonato injetado —, o ventilador criado pelo carioca Guto Índio da Costa revolucionou não só pelo material, como também pela estética e funcionalidade. O Spirit é o primeiro ventilador feito inteiramente de plástico injetado, com apenas duas pás e de visual colorido. Para o coordenador do curso de Design de Produto do Instituto Europeo di Design (IED) de São Paulo, Alexandre Santilli, o Spirit fugiu do lugar comum e apresentou uma linguagem própria, que hoje é largamente copiada.

(Arquivo Pessoal)


2004 — Luminária Bossa, de Fernando Prado

Um dos produtos brasileiros mais premiados, a luminária Bossa, assinada pelo designer Fernando Prado combina simplicidade e engenhosidade. Com a mão, é possível modificar o ângulo de luz da luminária, permitindo gradações diretas e indiretas de iluminação do ambiente. “Um dos objetivos da Bossa é que a pessoa possa controlar os efeitos da luz no ambiente. Ela nasceu com o conceito de ser menos ociosa possível. A ideia é usá-la quando você estiver à mesa ou mesmo deixá-la ligada como luz ambiente”, explicou à Revista Fernando Prado.

(Reprodução Internet)
 

2007 — iPhone, de Jonathan Ive

O primeiro celular inteligente da Apple foi motivo de grande alvoroço. Não tanto pela questão estética, mas por colocar em evidência outro termo: o design de serviço. Criado pelo designer Jonathan Ive a partir da concepção do criador da marca, Steve Jobs, o celular inteligente reuniria em um mesmo produto: relógio, tocador de música, bloco de notas, entre outras funções. Desde os anos 1970, a Apple já adiantava uma preocupação em aliar tecnologia e arte. Nesse mês, no entanto, o primeiro iPhone entrou para o hall de aparelhos obsoletos, pois já não funciona.

(E-Solex/Reprodução)


2006 — Bicicleta elétrica E-Solex

Símbolo de uma França pós-guerra, a bicicleta motorizada VéloSolex, criada pelos designers Maurice Goutard e Marcel, em 1946, foi amplamente comercializada na França até o fim da década de 1980. Até que, em 2004, o grupo francês Cible comprou a marca e retomou a produção, mantendo a essência estética da bicicleta ao contratar o estúdio de design italiano Pininfarrina. Ajustando o veículo de duas rodas às necessidades contemporâneas, dois anos depois, lançaram a E-Solex, bicicleta elétrica que abriu caminho para outras, também afinadas com uma preocupação ambiental e de mobilidade urbana.

(E-Solex/Reprodução)


Ser ou não ser original

Mesmo antes de o coletivo de design holandês Droog, encabeçado pelo autor e curador Renny Ramakers, confrontar a indústria do made in China com a exposição The new original, a noção de pirataria já estava posta à mesa dos designers. Ao subverter a noção da cópia desenfreada, o grupo europeu apresentou uma releitura de vasos, bules de chá e de outros objetos tradicionais no Oriente. Além de contestar, a exposição, que ficou aberta ao público até abril passado em Guazshou, na China, mostrou que a imitação pode ir além da réplica. Professor de desenho industrial da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Jorge Lopes acredita que seja difícil deter as megaestruturas montadas e desmontadas em um curto espaço de tempo na China para cumprir um único objetivo: multiplicar em "x" milhões uma premiada cadeira, por exemplo. Ao fim, essa estrutura logo se remonta em outro espaço e passa a copiar outro produto. Sob uma ótica realista, criadores aprendem diariamente a lidar com o "desapego" da criação. Ou seja, "não há escapatória", afirma a professora Ana Claudia Maynardes, do departamento de desenho industrial da Universidade de Brasília (UnB). "Se aquilo que criamos contribuir de alguma forma para a solução de um problema, que copiem. Amanhã, estaremos fazendo outra coisa", avisa Maynardes.
 
(E-Solex/Reprodução)
 

Tags: brasil

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