Beliches deixam de ser peças antiquadas e ganham destaque na decoração de imóveis

Principalmente em ambientes pequenos, é possível, com criatividade, ter espaços práticos e charmosos

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postado em 06/08/2013 08:00 / atualizado em 05/08/2013 15:51 Joana Gontijo /Lugar Certo
Eduardo Almeida/RA Studio
 
 
Eles não são mais os mesmos. Práticos e flexíveis, os beliches invariavelmente aparecem no lar quando há problema de falta de espaço. Passaram um tempo esquecidos, visto que muitas pessoas os consideravam antiquados, mas agora eles já estendem este caráter inicial para adquirir destaque estético e variações inusitadas em termos de design, integrando a decoração em formas diferenciadas. As camas sobrepostas atualmente mudam de posição e concebem propostas que integram outras funções e podem ser personalizadas de acordo com cada tipo de necessidade e usuário. Com tantas vantagens, o móvel deixou de ser exclusividade de crianças e adolescentes e é utilizado sem preconceitos por adultos, em muitos casos solteiros convictos que moram em imóveis compactos. Os ambientes cada vez mais reduzidos fizeram também com que projetistas e designers concebessem beliches até para acomodar casais. O resultado, na maioria das vezes, chega à beleza, ao conforto e ao aconchego.
 
 
Os beliches geralmente são inseridos no ambiente quando se quer otimizar o espaço e torná-lo prático, autêntico, lúdico e interativo, pontua a designer de interiores Cristiane Antunes. “Antes, o beliche era apenas um conjunto de duas ou mais camas montadas umas sobre as outras. Atualmente, surgem com design inovador e podem fazer parte de uma decoração divertida, bonita e prática.” O móvel pode agregar armários, gavetas, prateleiras, suportes, baús, escrivaninhas. “Elevando a cama e abrindo espaço na parte de baixo, ele pode abrigar local para estudar, brincar ou receber os amigos, e também ser opção de uma cama extra para as visitas que forem passar a noite”, continua Cristiane.
 
"Antes, era apenas um conjunto de duas ou mais camas montadas umas sobre as outras. Atualmente, surgem com design inovador e podem fazer parte de uma decoração divertida, bonita e prática" - Cristiane Antunes, designer de interiores
 
 
Mais comuns em quartos de crianças e adolescentes, os beliches também podem ser usados em dormitórios de adultos, na maioria dos casos em albergues, pousadas e colônias de férias, segundo a profissional. “Com aspecto sóbrio, moderno ou clássico, sem perder a criatividade, eles podem servir ao adultos. Já existe no mercado um sofá que se transforma em um beliche, por exemplo. Além de prático, é muito bonito e carrega o ar adulto por ser feito a partir de um móvel geralmente presente em salas”, cita.

Reprodução/Internet/assimeugosto.com
Antes aplicados unicamente para solucionar os problemas de espaço no quarto das crianças, quando se tinha irmãos dividindo o mesmo cômodo, atualmente os beliches ficaram mais modernos e ganharam outras finalidades, melhorando a distribuição espacial em ambientes adultos, como em uma peça multifuncional que se transforma em um home-office, complementa o designer de interiores Charles Cruz. “Hoje em dia, este móvel tem traçados arrojados e forte apelo estético, traduzidos nos mais variados tamanhos, modelos, cores e materiais. Pode ser encontrado em lojas de móveis, pela internet ou planejado conforme o tamanho e o modelo desejado em cada situação. Apesar de mais caras, estas peças encomendadas se adequam melhor aos gostos e necessidades de cada cliente.”

As variações possíveis são infinitas, dependendo de idade, sexo e objetivos do usuário, acrescenta Cristiane Antunes. “Os beliches podem apresentar desenhos diferenciados, como em L, em T, embutidos como se fossem nichos. Podem ser usadas até mesmo quatro camas em um mesmo ambiente, se for mais reduzido. Basta ter imaginação.” No caso dos projetos infantojuvenis, os beliches podem ser temáticos e remeter a esportes, acampamentos na selva, navios, trens, casinhas de boneca, exemplifica Cristiane. “Em propostas modernas e mais elaboradas, a criança tem como opção, por exemplo, descer por um escorregador, em uma corda formando uma escada, ou em um cano chumbado no teto e no chão. Com design mais prático, a parte de baixo pode ser usada para guardar roupas, brinquedos, ou até para uma escritório”, enumera.

VARIEDADE


Em materiais diversos, como MDF revestido, pintado ou laqueado, madeira maciça, estruturas de tubo e chapa de aço e até mesmo fabricados em paletes, os beliches estendem as formas de apresentação até onde alcança a tecnologia no setor de mobiliário, cada dia mais avançada e inovadora. Em relação as cores em que aparecem, não há restrições, mas, para acertar, é mais fácil apostar nos tons complementares para ter harmonia na decoração como um todo, recomenda Cristiane Antunes. Aplicando ao móvel diferentes tipos de materiais, colorações e complementos, chega-se a efeitos também variados em relação ao estilo da decoração - mais clássico, rústico ou contemporâneo. “Os beliches tornam um quarto que poderia estar cheio de móveis em algo único e inovador, feito especialmente para as características e a identidade dos usuários”, diz a designer.

Com planejamento, é possível criar uma peça multifuncional, segundo o designer de interiores Charles Cruz - Eduardo Almeida/RA Studio Com planejamento, é possível criar uma peça multifuncional, segundo o designer de interiores Charles Cruz
 
 
Estas peças também surgem estilizadas, decoradas e personalizadas de acordo com o conceito específico de cada projeto, principalmente se forem planejadas para crianças e adolescentes, deixando o ambiente prático, funcional, dinâmico e moderno, indica Charles Cruz. “Às vezes, a falta de espaço faz com que irmãos tenham que dividir o mesmo quarto, e esta experiência é importante para o desenvolvimento do indivíduo, despertando o desejo de bom cidadão em compartilhar. Assim, o móvel tem ainda o papel de unir as pessoas e fortalecer suas relações.”

Para quem está na dúvida sobre como escolher o melhor modelo, Charles dá a dica do beliche na cor branca, que combina com acessórios coloridos e é de fácil associação com outros adornos, mas os mais ousados podem optar por tonalidades marcantes. “Os beliches podem ter modelos tradicionais e madeira no aspecto original, ser modernos e futuristas em linhas retas, temáticos e inusitados, ou clássicos em estilo provençal, elegantes e sofisticados. Do desenho mais comum com duas camas, até as treliches, os multifuncionais e em posições cada vez mais variadas, eles são eficientes e ideais para locais limitados por combinarem mais de um móvel em uma peça só.”

 
Reprodução/Internet/mobiliarioblog.blogspot.com.br
 
Para a designer de interiores Lídia Sucasas, os beliches já não se restringem apenas à acomodação, e atualmente atendem as mais diferentes expectativas, com novas e arrojadas roupagens. “Hoje este móvel possui características que facilitam sua utilização de forma sustentável, viável, divertida e decorativa”, diz. Na opinião de Lídia, os beliches deixam o espaço despojado e democrático, mas há alguns cuidados a observar. “É importante saber porque e para quem a peça está sendo indicada. Assim, é preciso considerar algumas questões de segurança, como o tamanho adequado à idade, a existência de janelas próximas, a altura entre as camas e o teto, além de verificar a altura e o material corretos da escada, e a facilidade locomotiva de quem irá utilizar o beliche”, orienta. Por se tratar de um tipo de cama elevada, em quartos de crianças menores, a atenção deve ser para que a cama superior esteja protegida por uma grade ou tela segura e rígida, complementa Cristiane Antunes, que pode até ter função decorativa.

A designer de interiores Lídia Sucasas projetou beliche com escrivaninha para Gabriel, que adora o espaço para estudo - Eduardo Almeida/RA Studio A designer de interiores Lídia Sucasas projetou beliche com escrivaninha para Gabriel, que adora o espaço para estudo
 
 
Companheiro inseparável

O treliche que há 20 anos está na família da artesã Carla De Lucca Linhares tem história para contar. Quando entrou em uma loja de mobiliário na capital procurando uma cama comum para o sítio que começava a construir com o marido, Francisco, ela ficou encantada com o modelo em mogno que encontrou no showroom. Ficou ainda mais atraída, conta, porque o móvel não tinha o desenho tradicional de beliche, e sim reunia três camas em posições alternadas, além de gavetas. “Ele tinha uma mancha na madeira, então não queriam vender. Mas era imperceptível, eu insisti, e acabei levando uma peça de muita qualidade com bom preço”. O treliche serviu primeiro ao pequeno quarto na casa improvisada na área da construção do sítio, na Grande BH, antes do imóvel definitivo. Agora, já está em um cômodo maior, com banheiro, ao lado de uma cama de casal, na casa principal, onde a família sempre recebe amigos e parentes aos fins de semana. “Antes era mais por causa do espaço. Agora, já é um móvel que faz parte da nossa vida e vai perdurar por gerações. Nem os ladrões conseguiram tirar de nós. Certa vez, invadiram o sítio, tiraram quatro parafusos, mas desistiram de roubar sem conseguir desmontar. É uma relíquia, nunca mais vi outro igual.”

Reprodução/Internet
Na época do nascimento do terceiro filho, o arquiteto João Marcos Machado encomendou a uma marcenaria um beliche desenhado por ele mesmo. Como morava com a esposa e os dois primeiros filhos em um apartamento pequeno em Belo Horizonte, o móvel foi a solução ideal para acomodar o novo morador, depois de já crescido. “O apartamento tinha poucos armários, então incluímos gavetões neste beliche que ajudaram ainda mais a aproveitar o espaço”, lembra João.

Depois de 26 anos e com os filhos já adultos, o casal ainda mantém o beliche, que agora foi levado para a casa de fim de semana da família, no bairro Jardim Canadá. “A casa tem apenas dois quartos, então trouxemos o beliche para conseguir receber melhor os amigos, os familiares, filhos e netos, que sempre estão por perto. Como foi feito em madeira maciça e de boa qualidade, o beliche continua novo e muito útil”, acrescenta o arquiteto.

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O estudante Gabriel Fonseca, de 16 anos, também tem um beliche no quarto, que diz adorar. Quando os pais mudaram de Contagem para um imóvel no Buritis, na capital, há cerca de dez anos, o cômodo tinha uma configuração mais recorrente, com a cama convencional, um gaveteiro para acomodar os brinquedos e o guarda-roupa embutido na parede. Pouco tempo depois, a especificação do beliche, composto pela cama suspensa e, na parte de baixo, com um escrivaninha para o computador e outro armário, ajudou a otimizar a organização do quarto. “Agora posso estudar no quarto, ler e escrever, fazer as lições da escola. Antes tinha que ficar na sala para isso. Junto com as coisas que gosto, o beliche ajudou a decorar meu quarto com a minha personalidade. Ficou um espaço mais moderno e descontraído.”

Tags: luxo

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