Cristaleiras resistem ao tempo e assumem lugar de destaque na decoração

Herdadas ou feitas sob medida, elas causam grande impacto visual na decoração de ambientes

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postado em 06/01/2014 08:02 / atualizado em 19/12/2013 09:49 Lilian Monteiro /Estado de Minas
Peça tradicional em composição de madeira e vidro tornam os ambientes clássicos - Alessandra Morávia/Divulgação Peça tradicional em composição de madeira e vidro tornam os ambientes clássicos
 
 
A cristaleira tem o poder de acompanhar gerações e permanecer na composição da decoração com elegância e beleza. O móvel nasceu da paixão da rainha Mary, da Inglaterra, por louças, no fim do século 17. Ela o encomendou a artesãos para exibir sua coleção de porcelanas em azul e branco, cores do seu país de origem, a Holanda. Novidade, a peça foi adotada no resto da Europa e nos EUA e chegou ao Brasil com a corte portuguesa. Por isso, ela se tornou símbolo de poder e riqueza. Atualmente não é mais assim, embora ela mantenha o glamour intacto. E agora elas são herdadas, disputadas em antiquários e até feitas sob medida.

Ao longo dos anos a cristaleira se transformou. Se não há cristais para guardar, ela ficou democrática e aceita de livros a sapatos. Aliás, a dica de usá-la como sapateira é superbacana. Na verdade, o móvel é perfeito para expor a história dos donos da casa. Nele as pessoas exibem lembranças de viagens, bibelôs, xícaras, taças, objetos antigos, caixinhas, miniaturas e presentes. A peça é tão sedutora que faz o visitante parar diante dela para admirá-la, apontar o que tem dentro, emendar conversas e histórias.

Osvaldo Castro/Divulgação
A cristaleira imprime gosto pessoal e personaliza qualquer ambiente. Em seus projetos, o designer de interiores Antônio Machado gosta de usá-la de maneira funcional e não apenas como peça decorativa. Por isso, sala de jantar e espaço gourmet são os ambientes preferidos. “Ela é para compor o espaço. É importante ter um lugar específico e que atenda a demanda. Gosto da cristaleira para uso prático e não como enfeite.” João desenha o móvel para clientes, do estilo moderno ao clássico. “Criei um modelo revestido de rádica com parte fechada e outra aberta com espelho no fundo para dobrar o tamanho dos cristais e as portas e prateleiras de vidro.”

Já a arquiteta Laura Santos gosta de arriscar e levou a cristaleira para a cozinha. “Pintei de verde um modelo de madeira antiga e deixei o visual mais atual.” Para ela, com adequação, o móvel pode estar em ambientes diferentes.

Gisele Benícia, do escritório Arquitetura e Urbanismo, em Nova Lima, conta que a tendência das cristaleiras, que andou por um tempo ofuscada, voltou com tanta força que faz a diferença em vários projetos. Ela destaca a mistura de móveis clássicos ao lado de armários modernos. “As tradicionais estão sendo laqueadas, principalmente, de branco, cor que remete à ideia da arte clássica.” Ela reforça que o móvel é ótima opção para guardar coleções não só de cristais, prataria, taças e porcelanas
chinesas, mas também carrinhos, toy art e até bonecas antigas. “Há clientes que guardam vinhos de forma tradicional, abrem mão de adega climatizada. Elas estão presentes nos espaços gourmets, mas há estilos contemporâneos que cabem em quartos ou mesmo num hall, onde uma peça com espelho no fundo vai dar amplitude e beleza ao espaço.”

Sob medida

A arquiteta Adriana Morávia explica as diferenças entre cristaleiras antigas e contemporâneas. “Antigamente elas eram, em geral, móveis soltos, feitos de madeira maciça, com entalhes e portas com vidro. Funcionavam como vitrines. Hoje, com os apartamentos cada vez menores, nem sempre é possível inserir essa peça em salas de jantar ou estar. Para solucionar o impasse, ela é feita sob medida e ganha profundidade com portas de correr ou com fecho-toque acima de bufês. Há ainda aquelas que são inseridas na estante da TV.” Ela conta que as sob medida não devem ter mais que 40 centímetros de profundidade, para a praticidade não ser comprometida.

Há quem goste de peças antigas e quem valorize modernas. O certo é que as cristaleiras se tornaram versáteis e se adaptam a qualquer cômodo da casa. Tudo vai depender da roupagem. O móvel dá sensação de aconchego. Na decoração, agrega bem-estar.
 
Fábio Cançado/Divulgação

Tags: crescimento

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