Moda da decoração nos anos 1950 e 1960, cobogó volta com força total

O cobogó está em alta. Elemento vazado, normalmente feito de cimento, usado para dar maior ventilação e luminosidade no interior do imóvel, invade todos os ambientes, agora, em material mais nobre

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postado em 17/12/2014 08:06 Lilian Monteiro /Estado de Minas
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Cozinha laranja com peças de cerâmica esmaltada tem um toque todo especial - Xico Diniz e Aluízio Gomes Accioly Filho/Divulgação Cozinha laranja com peças de cerâmica esmaltada tem um toque todo especial


Febre nos anos 1950 e 1960, quando era usado, principalmente, nas áreas externas, nos jardins, o cobogó ganha força novamente na decoração. Repaginado, ele tem o dom de deixar o ambiente estiloso. Esqueça o cimento sem graça e imagine peças descoladas, coloridas, modernas, retrôs, arrojadas, clássicas, de cerâmica, argila, porcelana, mármore, madeira e vidro. Você tem todas essas opções para criar um projeto bacana e funcional, já que ele pode fechar um ambiente, criar área de circulação, proporcionar ventilação e luminosidade, além de assumir o papel de objeto decorativo em paredes, bancadas e o que mais a imaginação permitir.

O cobogó nasceu das iniciais dos sobrenomes de três engenheiros que, no início do século 20, trabalhavam em Recife e o criaram: o português Amadeu Oliveira Coimbra, o alemão Ernest August Boeckmann e o brasileiro Antônio de Góis. Sócios numa fábrica de tijolos, eles desenvolveram o recurso arquitetônico para amenizar as altas temperaturas do Nordeste. No entanto, a fama da peça, considerada um marco na arquitetura moderna brasileira, veio com o projeto do arquiteto carioca Luiz Nunes, que usou o cobogó na caixa d’água de Olinda, um prédio equivalente a seis andares toda rendada, de 1934.

Cozinha laranja com peças de cerâmica esmaltada tem um toque todo especial - Xico Diniz e Aluízio Gomes Accioly Filho/Divulgação Cozinha laranja com peças de cerâmica esmaltada tem um toque todo especial


A partir daí, o cobogó não ficou restrito somente a prédios comerciais ou na indústria, mas ganhou as residências. Depois de um tempo sumido, o recurso volta a ser tendência na decoração. Com proposta ousada e de design, ele reaparece com apelo sofisticado. Da área externa, ele surge na sala, cozinha, sala e corredor dos quartos. Na varanda, é um charme. Há projetos em que ele aparece até como painel decorativo. Além de versátil, o cobogó cabe em todos os bolsos. Uma peça em cerâmica, bem básica, é facilmente encontrada em lojas de construção e custa de R$ 3,90 a R$ 28 cada. Já um de louça tem valor médio de R$ 47 a unidade. Mas dependendo do material ele pode chegar a R$ 400.

O cobogó branco foi usado no projeto de Renata Santa Rosa na Casa Cor Rio Grande do Norte - Alberto Medeiros/Divulgação O cobogó branco foi usado no projeto de Renata Santa Rosa na Casa Cor Rio Grande do Norte


Novidade no mercado brasileiro, os elementos vazados esmaltados da Manufatti valorizam premissas de sustentabilidade em projetos de arquitetura, decoração de interiores, paisagismo e design. Além do efeito estético, o cobogó pode promover o conforto termoacústico e, ao mesmo tempo, valorizar o visual das edificações. A empresa comercializa peças “artesanalmente industrializados”, o que significa unir a beleza de uma peça feita à mão ao processo de fabricação com implantação de tecnologia avançada e desenhos e formatos inspiradores em tamanhos de 20cm x 20cm (rendimento de 25 peças por metro quadrado), de 30cm x 30cm (rendimento de 11 peças por metro quadrado) e 27,5cm x 9,5cm (medida exclusiva do modelo papiro). Os preços variam de acordo com o modelo e o tamanho da peça escolhida.

Na Casa Cor de Campinas, Daniele Guardini e Adriano Stancati usaram o cobogó para deixar o ambiente mais clean - Arquivo Pessoal/Divulgação Na Casa Cor de Campinas, Daniele Guardini e Adriano Stancati usaram o cobogó para deixar o ambiente mais clean


A diretora comercial da Manufatti, Patrícia Maciel Maia, reforça que o cobogó é um material superatual, que pode ser usado em qualquer ambiente e com a infinidade de cores e desenhos que hoje em dia há no mercado. “É possível ampliar ainda mais o leque de utilização do produto usando a criatividade em projetos de áreas internas e externas. Eles podem separar ambientes, estar na execução de painéis ou para proporcionar mais privacidade em algum local.” Ela explica que a manutenção não é complicada e vai depender do material. “Os cobogós cerâmicos e esmaltados exigem atenção. Como toda peça cerâmica, requer cuidados no momento do transporte e durante a instalação. Mas, depois de instalados, a manutenção é simples, basta limpar com uma flanela e produtos neutros.”

A arquiteta Beatriz Quinelato escolheu a peça como painel decorativo que é o destaque da sala - Leandro Farchi/Divulgação A arquiteta Beatriz Quinelato escolheu a peça como painel decorativo que é o destaque da sala


Formada em arquitetura e urbanismo pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo e reconhecida pelo estilo contemporâneo e minimalista, a arquiteta Beatriz Quinelato lembra que a escolha do tipo de cobogó depende do projeto. “Hoje, temos cobogós com uma linha bem retrô, outros que já seguem uma linguagem contemporânea. É importante analisar o local que será colocado, o estilo de projeto proposto para cada ambiente e qual a paleta de cores do espaço. Com isso, temos uma infinidades de combinações. O cobogó é um elemento curinga que se aplica em qualquer espaço.” Ela conta que a primeira função do cobogó é mesmo a divisória, é o carro-chefe de utilização. “Mas há outras possibilidades incríveis, como seu uso em fachadas e painéis, com a função de proporcionar privacidade sem esconder. Atualmente, ele está longe de ser apenas funcional. Os desenhos e cores desenvolvidos valorizam a beleza das peças e permitem composições que resultam em lindos painéis decorativos. Eles são totalmente incorporados na concepção da maioria dos projetos. Basta criatividade. A dica para não ficar over é verificar três pontos básicos: desenho, cor e dimensão do local a ser aplicado. Se for uma área grande, a melhor escolha é um desenho mais limpo ou uma cor neutra.”

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