Soluções de arquitetura e decoração tornam a casa aliada na economia de água e energia

Crises hídrica e energética e temor de racionamento estimulam mudança de hábito do consumidor, que busca formas de economizar na própria composição do imóvel, sem abrir mão da estética

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postado em 19/03/2015 08:05 Lilian Monteiro /Estado de Minas
A fachada da casa em vidro objetiva a entrada de luz natural. Dessa forma, diminui significativamente o uso da luz artificial e do ar-condicionado - Adriane Xavier e Gustavo Xavier/Divulgação A fachada da casa em vidro objetiva a entrada de luz natural. Dessa forma, diminui significativamente o uso da luz artificial e do ar-condicionado


Piso drenante para escoar a água da chuva e ajudar a minimizar o acúmulo de poças e enchentes. Trocar as válvulas de descarga (parede ou caixa acoplada) para a de duas teclas para controlar a liberação do fluxo da água. Instalar arejadores de água nas torneiras, próprios para misturar o ar na saída da torneira, o que dá mais volume à água, que aumenta o rendimento. Pintar a laje de cobertura na cor branca para evitar o aquecimento da casa ou mesmo criar um jardim. Abrir cortinas e janelas para assegurar luminosidade e ventilação por mais tempo possível. Um projeto que contemple um domus ou claraboia. Soluções fáceis, práticas, econômicas e inteligentes em época de crise hídrica e energética. Mais do que apagar as luzes ou fechar as torneiras, há várias soluções para que a casa, sem dispensar a estética e a beleza, seja uma aliada neste momento crítico. Há saídas para todos os bolsos e projetos.

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A arquiteta, urbanista e designer de interiores Lilian Fajardo lembra que, para economizar energia, é “importante trocar as lâmpadas comuns por opções mais eficientes, como as lâmpadas de LED, e colocar sensores de presença nos locais pouco movimentados”. Assim como abusar da “iluminação natural, que deve ser utilizada sempre que possível”. Uma boa dica “é substituir algumas telhas coloniais de cerâmica por modelos transparentes”.

Nesta cozinha, a ventilação cruzada das janelas com a porta que vai para a área externa é uma opção para diminuir o calor e proporcionar conforto térmico no interior da edificação - Adriane Xavier e Gustavo Xavier/Divulgação Nesta cozinha, a ventilação cruzada das janelas com a porta que vai para a área externa é uma opção para diminuir o calor e proporcionar conforto térmico no interior da edificação


Lilian diz que a utilização de ventilação cruzada e claraboia é interessante, já que o ar frio entra pela janela e o ar quente sai por ela. Outras soluções apontadas pela arquiteta são a cobertura com telha branca ou o telhado ecológico, que diminuem a temperatura interna nas edificações e economizam energia. E tem ainda o telhado verde, que não só minimiza a emissão de gás carbônico na natureza como proporciona conforto térmico e acústico. Ela avisa que é melhor dar preferência ao ventilador. “Mas, caso tenha ar-condicionado, é importante manter as portas e janelas fechadas enquanto ele estiver ligado. E ambos devem ser dimensionados de acordo com o ambiente. E ao comprar eletrodomésticos, opte por aqueles que têm o selo com indicação de menor consumo.”

MEDIDAS SIMPLES

A bacia sanitária com caixa acoplada, torneira com arejador e automação são indispensáveis em uma casa bem planejada - Adriane Xavier e Gustavo Xavier/Divulgação A bacia sanitária com caixa acoplada, torneira com arejador e automação são indispensáveis em uma casa bem planejada
Para Lilian, os recursos inteligentes da arquitetura e decoração são as fachadas em vidro, as cores claras para refletir a luz e a automação, todos grandes aliados na economia. Mas ela alerta que, neste momento crítico, atitudes simples fazem a diferença. “Colocar arejadores nas torneiras ou usar modelos com sensor; escolher a bacia sanitária com dois fluxos de água, um para excreções líquidas e outro para sólidas, são mais inteligentes; optar por chuveiro que controle a vazão de água, garantindo excelente economia sem perder a qualidade do banho; para quem está construindo, vale investir num sistema para aproveitar a água da chuva, da descarga e da máquina de lavar roupa para limpar a área externa e regar o jardim; usar nas áreas externas pisos que drenam a água pluvial e tem ainda o uso do sistema biodigestor, que trata a água do esgoto e a devolve ao meio ambiente para ser reutilizada.” A arquiteta lembra que, em alguns municípios do Brasil, o IPTU verde é um projeto de lei que garante desconto sobre o imposto para imóveis que considerem em seu projeto sustentabilidade, acessibilidade, arborização, questões climáticas e geração de energia. “E é viável aplicar esses sistemas, já que apesar do custo alto se pagam ao longo da utilização.”

A simples troca de iluminação é uma saída com grande custo-benefício. O presidente da Lâmpadas Golden, Álvaro Diniz, diz que o crescimento de venda da lâmpada LED e eletrônica já é uma realidade no país. “O LED vem reduzindo o preço comparado às tecnologias conhecidas, e o aumento de venda é uma tendência. Essa migração de tecnologia em iluminação ocorre desde julho de 2013, quando teve início a retirada das incandescentes de baixa performance do mercado nacional, processo que será concluído em 2017. As camadas de baixa renda, forçadas a fazer a migração, buscam a alternativa mais barata disponível, no caso a lâmpada fria (fluorescente). Já outra parcela tem migrado diretamente para o LED, porque está interessada em novidades tecnológicas. O brasileiro começa a romper a barreira do impacto do preço da LED e busca entender as vantagens. As contas não deixam dúvida de que, apesar de custar mais, o benefício em economia de energia é compensador.” A lâmpada LED consome um décimo da energia de uma incandescente e dura cerca de 33 vezes mais.

PALAVRA DE ESPECIALISTA - Fernanda Basques, diretora do Grupo de Empresas Mineiras de Arquitetura e Urbanismo (Gemarq), ONG que representa diversos escritórios de seu segmento

Arquitetura como aliada

Adriane Xavier e Gustavo Xavier/Divulgação
“Com as notícias de racionamento de água e luz batendo em nossas portas, sentimos uma real necessidade de fazer alguma coisa para contribuir com a economia dos recursos disponíveis, vislumbrando momentos mais estáveis. Nesse contexto, a arquitetura se torna uma aliada importante. Algumas soluções não são possíveis de ser implantadas sem que a arquitetura das edificações tenha sido planejada para incorporá-las, como a medição individualizada de água. Entretanto, há soluções que podem ser facilmente adotadas em todas as residências. Para redução do consumo de água sugerimos o uso de louça sanitária ou de válvula de descarga com fluxo duplo. Uma válvula de descarga comum pode despejar até 30 litros de água. Já as de fluxo duplo limitam a três ou seis litros por descarga. As louças com caixa acoplada são limitadas a seis litros. As de fluxo duplo custam mais caro, mas seu custo se paga com a economia do consumo de água. Para a economia de energia, vamos sugerir o uso de lâmpadas LED. Foi-se o tempo em que lâmpada LED era sinônimo de baixo custo e má reprodução de cor. As lâmpadas LED foram deixadas de lado na decoração por muitos anos por não trazer aquela sensação de conforto e aconchego que as incandescentes trazem, bem como pelo seu custo. Hoje, elas têm boa reprodução de cor, o custo-benefício já se mostra favorável e ainda têm dimensões e formatos que se adequam a vários tipos de uso.”

No banho do casal, a arquiteta Lilian Fajardo optou por bacia sanitária com dual flush e iluminação com sensor de presença para economizar água e luz - Adriane Xavier e Gustavo Xavier/Divulgação No banho do casal, a arquiteta Lilian Fajardo optou por bacia sanitária com dual flush e iluminação com sensor de presença para economizar água e luz

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