Opinião: PPCub - um plano para o atraso

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postado em 19/03/2014 11:42 Ana Dubeux /Correio Braziliense
Parece palavrão, embora sejam só cinco letras: PPCUB. A sigla significa Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília. A intenção, segundo o governo, é que se transforme em lei que oriente a população e o poder público com diretrizes de uso e ocupação do espaço urbano de Brasília. Compreende a poligonal tombada, que inclui Plano Piloto, Candangolândia, Cruzeiro, Sudoeste e Octogonal. Sem a carapuça das boas intenções governamentais, o PPCUB se resume a uma palavrinha: ameaça — ao patrimônio público, ao planejamento do conjunto tombado, às ideias magistrais de Lucio Costa.

Entre as modificações possíveis, caso o plano seja aprovado na Câmara Legislativa, estão a construção de comércio no Eixo Monumental e de prédios na W3, restaurantes na orla do lago e bares atrás da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima. À primeira vista, pode parecer atraente ter mais diversão em grandes espaços vazios — vazios plenos de significado e de justificativas — e mais prédios no Plano Piloto. Mas, na prática, o que está sendo gestado é sinônimo de atraso, desfiguração, dano ao patrimônio tombado de Brasília.

Não foi à toa que a Unesco, na última missão a Brasília, considerou o plano altíssimo risco e listou mais de três dezenas de problemas que precisam ser avaliados urgentemente para que a capital mantenha o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. O Ministério Público conseguiu frear a pressa de aprovar o projeto. Os urbanistas e arquitetos alertam para os perigos. Amém.

Brasília não é só uma joia da arquitetura. Suas escalas e seus limites são essenciais para manter o verde, à vista até onde o horizonte alcança, a organização urbana e a qualidade de vida. O planejamento e a configuração urbana permitem o uso dos recursos com respeito à natureza e ao projeto original. Sua gente está aí para provar que é possível morar e se divertir sem pisar o tombamento. Não há como retroceder e desvirtuar a cidade, apenas para garantir a meia dúzia de empresários gananciosos e a uma porção de políticos mal-intencionados lucros exorbitantes à custa de nosso patrimônio.

Não precisamos de boates à porta de casa, de prédios altos na W3, nem de outros absurdos. Não é isso que os turistas esperam ver quando visitam Brasília. Tampouco são atrativos que despertam o olhar de investidores conscientes. Queremos transporte de qualidade, mobilidade urbana, ciclovias, acessibilidade, infraestrutura nas cidades ao redor de Brasília, segurança no Entorno, educação decente e o deslumbre do céu e do cerrado.

Há meio século, somos reféns da desenfreada corrida para ocupar cada pedacinho do nosso quadrado. A história já foi contada e recontada. Mais recentemente, foi objeto de uma série de reportagens de Ana Maria Campos, editora de Cidades, e de Lilian Tahan. Reconstituição tão benfeita e detalhada que rendeu ao Correio o Prêmio Esso. O reconhecimento do júri é motivo de orgulho, como também o é a vocação do jornal para a defesa incondicional de Brasília. Queremos que o leitor se alie a nós.

Tags: arquitetura

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