Jovem chega mais cedo à casa própria, diz estudo da Lopes Royal

De cada quatro compradores de imóveis em Brasília, um tem menos de 30 anos. Renda elevada explica a liderança no ranking

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postado em 07/04/2014 09:03 / atualizado em 07/04/2014 11:22 Diego Amorim /Correio Braziliense
Um em cada quatro compradores de imóveis em Brasília tem menos de 30 anos. Quase 80% dos clientes ainda não chegaram aos 50 - Marcelo Ferreira/CB/D.A Press Um em cada quatro compradores de imóveis em Brasília tem menos de 30 anos. Quase 80% dos clientes ainda não chegaram aos 50

Passar em concurso público não é a única fissura dos jovens brasilienses. Comprar um imóvel o quanto antes também ocupa a lista de prioridades de quem alcança a vida adulta na capital federal, onde a média de idade de quem conquista a casa própria é a menor entre cinco cidades pesquisadas em um estudo da imobiliária Lopes Royal. Os números inéditos ajudam a explicar o fôlego do mercado local, mesmo em períodos de estagnação.

Um em cada quatro compradores de imóveis em Brasília tem menos de 30 anos. Quase 80% dos clientes ainda não chegaram aos 50. A média, de 35 anos, é menor que a de São Paulo e Porto Alegre (36 anos), Salvador (37 anos) e Florianópolis (43 anos). O perfil, divulgado com exclusividade ao Correio, revela, ainda, que as mulheres brasilienses representam 42% dos consumidores, índice bem acima da média das outras cidades, de 30%.

A proporção de solteiros entre os compradores na capital federal — 55% — é a maior, conforme o levantamento: mais um ponto que chama a atenção e torna o mercado candango peculiar. Todo esse cenário se explica, em grande parte, pela força do funcionalismo na economia. Com renda estável, os servidores públicos representaram mais da metade — 54% — dos clientes no período da pesquisa, entre janeiro de 2012 e outubro de 2013.

Não bastassem a facilidade do crédito e os juros mais acessíveis, que incentivaram o setor imobiliário em todo o país nos últimos anos, Brasília tem a população com a maior renda per capita do país e um considerável fluxo migratório de jovens servidores, por se tratar de uma capital administrativa. “A pesquisa é inédita, não conseguimos comparar com anos anteriores, mas percebemos que, em Brasília, se compra imóvel cada vez mais cedo”, comenta o diretor da Lopes Royal, Marco Antônio Demartini.

Muitos dos jovens que desembarcaram na cidade para trabalhar para o Estado ocupam cargos estratégicos em órgãos como o Tesouro Nacional e a Advocacia-Geral da União (AGU). Os salários que chegam a passar de R$ 20 mil permitiram que eles adquirissem apartamentos em regiões como Águas Claras e Park Sul. Essa elite do funcionalismo oferece risco quase nulo aos bancos — até que se prove o contrário — e forma o grupo dos queridinhos das imobiliárias.

Karolini Sá passou pela primeira vez em concurso aos 20 anos, antes mesmo de se formar em contabilidade. Ganhou estabilidade e bom salário. Quatro anos depois, já assinava o contrato da compra de um imóvel no Guará, que agora, alugado, engorda a renda individual. “Cresci com a ideia de fazer o meu dinheiro render”, conta a jovem, hoje aos 27. O imóvel próprio deve ser quitado nos próximos meses, com a ajuda do dinheiro que, até então, estava aplicado em renda fixa.

Em Brasília, sobretudo no Plano Piloto, é comum encontrar lares formados por jovens servidores de rendimento na casa dos dois dígitos. “Por ter, em média, um poder de compra maior, parece que, de fato, o brasiliense consegue adquirir bens, incluindo o imóvel, antes do que se espera naturalmente”, analisa Demartini, dizendo que as salas de aula dos cursinhos preparatórios para concursos estão lotadas de “futuros compradores”.

Cuidados

Ana Catarina Valle, 33, não é servidora, mas estabeleceu como prioridade a compra da casa própria, algo que deve se concretizar ainda neste ano. “Queremos fugir do aluguel para ter mais segurança”, diz a veterinária brasiliense, recém-casada com um colega de profissão. Ana usa o mesmo discurso de quase todos que almejam ter um imóvel. Muitos dos amigos do casal da mesma faixa etária, conta ela, já realizaram o que antes consideravam um sonho.

O ímpeto juvenil, alerta a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dolci, pode aumentar as chances de o comprador cair em armadilhas não muito raras no mercado imobiliário. Ela recomenda atenção redobrada aos imóveis na planta. Além da dica básica de ler o contrato do início ao fim, sublinha que vale checar a idoneidade da construtora e da incorporadora do projeto.

Embora haja um consenso entre especialistas de que existe uma geração de consumidores mais bem informados e mais exigentes, Maria Inês insiste na orientação de tomar cuidado com os “encantos” oferecidos por corretores. “Até em coisas básicas, é preciso ficar esperto. Temos casos de folhetos que mostram jardins em frente ao prédio e, no fim das contas, nada daquilo existia”, pontua. Conhecer todas as taxas que envolvem a compra de um imóvel também é fundamental, acrescenta ela.

Especuladores

Representantes do mercado dizem que a acomodação dos preços afastou os especuladores, aqueles que compravam unidades para lucrar com a revenda meses depois. Atualmente, a maioria dos clientes fecha negócio para morar nos imóveis, e os mais procurados têm sido os de dois quartos. Com o esperado aumento das vendas e a valorização de terrenos em 2014, incorporadores e donos de imobiliárias estão apostando que o preço do metro quadrado volte a subir em Brasília.

Preste atenção
Veja as recomendações de especialistas na hora de comprar uma casa ou um apartamento

» Analise qual a melhor opção de financiamento e conheça seu limite de endividamento. É bom estipular
se o FGTS será usado na quitação de parte do valor

» Defina o tipo de imóvel que você pretende comprar para não se deixar seduzir por anúncios ou pela lábia de corretores

» Conheça bem os custos envolvidos na transação, incluindo as despesas em cartórios e imposto de transmissão de bens imobiliários (ITBI). Se possível, converse com um bom agente imobiliário

» A compra nem sempre é a melhor opção. Se você não está seguro das condições de pagamento e da sua situação financeira atual, o melhor talvez seja manter o aluguel até que haja mais clareza

» Não acredite em todas as previsões. Por vezes, algumas elucubrações sobre o comportamento do mercado imobiliário têm pouco a ver com a realidade e só interessam aos especuladores

» Formalize as decisões e o que foi combinado por escrito. Isso reduz ou elimina o risco de discussões do tipo “eu disse, você disse”

Fontes: Idec e Proteste.

o das vendas e a valorização de terrenos em 2014, incorporadores e donos de imobiliárias estão apostando que o preço do metro quadrado volte a subir em Brasília.

Perfis

O comprador brasiliense
Estado civil
Solteiro 55%
Casado 32%
Outros 13%

Sexo
Masculino 58%
Feminino 42%

Idade
20 a 24 anos 5%
25 a 29 anos 21%
30 a 34 anos 23%
35 a 39 anos 15%
40 a 44 anos 10%
45 a 49 anos 9%

Principais profissões
Servidor público
Bancário
Professor

Em outras cidades…
São Paulo

Estado civil
Solteiro 51%
Casado 38%
Outros 10%

Sexo
Masculino 66%
Feminino 34%

Idade
20 a 24 anos 5%
25 a 29 anos 18%
30 a 34 anos 21%
35 a 39 anos 15%
40 a 44 anos 10%
45 a 49 anos 9%

Principais profissões
Empresário
Gerente
Engenheiro

Florianópolis
Estado civil
Solteiro 44%
Casado 46%
Outros 10%

Sexo
Masculino 87%
Feminino 13%

Idade
20 a 24 anos 2%
25 a 29 anos 10%
30 a 34 anos 15%
35 a 39 anos 16%
40 a 44 anos 10%
45 a 49 anos 9%

Principais profissões
Empresário
Aposentado
Servidor público

Porto Alegre
Estado civil
Solteiro 53%
Casado 35%
Outros 12%

Sexo
Masculino 72%
Feminino 28%

Idade
20 a 24 anos 5%
25 a 29 anos 12%
30 a 34 anos 30%
35 a 39 anos 10%
40 a 44 anos 10%
45 a 49 anos 8%

Principais profissões
Empresário
Médico
Engenheiro

Salvador
Estado civil
Solteiro 54%
Casado 37%
Outros 9%

Sexo
Masculino 64%
Feminino 36%

Idade
20 a 24 anos 3%
25 a 29 anos 14%
30 a 34 anos 23%
35 a 39 anos 14%
40 a 44 anos 11%
45 a 49 anos 11%

Principais profissões
Empresário
Gerente
Engenheiro

Fonte: Lopes Royal.


Tags: Francisco Maia Neto

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