Um imóvel, vários donos

Projeto de apartamento cotizado vira tendência e tem tudo para aquecer o mercado

Com a proposta de ratear os custos do condomínio e todas as demais despesas, entre outros benefícios, modelo cresce em São Paulo

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postado em 10/02/2019 14:00 Bruna Curi* /Estado de Minas
Gilberto Travesso/Esp. CB/D.A Press - 6/2/09

Não se pode negar que o mundo está passando por diversas transformações, que vêm afetando a vida das pessoas, inclusive na maneira como investem e adquirem bens. Já é realidade no mundo todo o compartilhamento de carros, roupas, escritórios e de outros vários itens, tendência que também chega ao setor de habitação. Frente à redução de espaços cada vez mais comum no país, a capital São Paulo já conta com projetos de multipropriedades e apartamentos implantados por construtoras.

Localizado nas proximidades da Avenida Paulista e da Rua Consolação, o empreendimento da SmartSharing vai oferecer apartamentos com capacidade para até quatro pessoas e decoração moderna. O sistema terá, a princípio, 20 unidades para comercialização de cotas de multipropriedade, com todos os benefícios que o compartilhamento proporciona, como o rateio dos custos do condomínio e todas as demais despesas. “Quem investe nesse tipo de empreendimento são pessoas que querem usufruir de um apartamento bem localizado em São Paulo, sem, porém, ter que arcar com os custos e trabalhos que teriam em um apartamento adquirido da forma tradicional, principalmente quando é para uso ocasional”, concordam Clóvis Meloque, cofundador da SmartSharing, e Fabiano Cordaro, especialista em compartilhamento da empresa.

A ideia de criar o projeto surgiu, segundo eles, ao observarem o número de turistas que São Paulo recebia. De acordo com o Observatório do Turismo, são cerca de 14 milhões de visitantes por ano. “É a cidade que mais recebe turistas do Brasil. Contudo, São Paulo não tinha um projeto de imóveis compartilhados para atender a essa demanda. Esse foi o ponto de partida da SmartSharing”, conta Clóvis Meloque.

“Percebi que muitas pessoas tinham apartamentos em São Paulo para uso eventual, e que esses imóveis ficavam desocupados a maior parte do tempo, gerando alto custo de manutenção. Criamos uma maneira de compra de imóvel para uso do tamanho da necessidade das pessoas”, conta Fabiano Cordaro. Assim, surgiu, no fim de 2017, a SmartSharing, novo conceito de apartamentos compartilhados em São Paulo. As pessoas não compram uma propriedade, elas assinam um contrato de longo prazo, que lhes dá direito ao uso de apartamentos compartilhados em regiões nobres de São Paulo, como Vila Olímpia (com um prédio inteiro nesse esquema já inaugurado), Jardins, Perdizes e Bela Vista.

“O benefício para a pessoa que compra uma cota é não precisar procurar hotéis para ficar, ela fica no seu próprio apartamento”, aponta Clóvis. Além disso, Fabiano ressalta vantagem para as pessoas que visitam São Paulo com grande frequência. “No Smart Citizen Paulista você se torna proprietário, com escritura definitiva em seu nome, e, por meio da Administradora Smart, você pode ocupá-lo como e quando quiser. É muito simples e o preço da cota, para utilização durante 14 dias por ano, é a partir de R$ 48 mil, preço de lançamento”, esclarece o especialista.

INVESTIMENTO

"Criamos uma maneira de compra de imóvel para uso do tamanho da necessidade das pessoas" - Fabiano Cordaro, especialista em compartilhamento da SmartSharing
Para empresários do setor, os projetos de compartilhamentos de imóveis são um meio de aquecer a economia e fomentar o setor da construção civil. “Imagine ter um apartamento mobiliado a seu dispor, com escritura em seu nome, no qual investe menos de R$ 50 mil e paga condomínio inferior a R$ 70 por mês? Um grande negócio para profissionais ou empresários que precisam estar em São Paulo com frequência, para reuniões de negócios, feiras e congressos, entre outras atividades, e não querem mais perder tempo com reserva, pesquisa, cotação e todo o desconforto que envolve a hospedagem em hotéis. Nesse novo sistema, eles poderão baixar o aplicativo e, sempre que necessário, desbloquear o uso, conforme já previsto na escritura”, explica Fabiano Cordaro.

Essa tendência foi regulamentada no Brasil no ano passado, por meio da Lei 13.777/2018, que determina todos os direitos e obrigações das partes envolvidas na multipropriedade imobiliária. A advogada especializada em direito imobiliário Paula Faria lembra que o condomínio da multipropriedade é mais flexível se comparado com os mais tradicionais. “Porém, se a multipropriedade (apartamento) for num prédio já existente, os proprietários deverão seguir as normas desse condomínio. Caso o condomínio proíba alguma prática da multipropriedade ou a lei não seja cumprida, o prioritário pode ficar desamparado e essas questões burocráticas causam dor de cabeça. Então, para evitar futuros problemas, é importante que o dono siga as exigências da lei e as normas do condomínio”, aconselha.

* Estagiária sob a supervisão da subeditora Elizabeth Colares

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