De olho no mercado

Diante da situação política do país, cenário na construção civil é de indecisão

Custo da construção aumenta e o índice de confiança dos empresários referente ao mês de março cai

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postado em 30/04/2019 13:12 / atualizado em 30/04/2019 13:14 José Alberto Rodrigues* /Estado de Minas
Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

O ano de 2019 começou com grande expectativa para o mercado da construção civil. Porém, o cenário é de incertezas. O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) caiu 6,7 pontos entre fevereiro e março. No segundo mês do ano, a confiança chegou aos 62,9 pontos e em março variou para 56,2 pontos. Para melhor entender os números, o Iceicon é o resultado da ponderação dos índices de condições atuais e de expectativas, que variam de zero a 100 pontos. Valores acima de 50 pontos apontam percepção de melhora na situação atual. Os números representam uma fronteira entre confiança e falta de confiança nos empresários.

“O indicador ainda está acima da linha divisória de 50 pontos, o que significa que a falta de confiança está menos disseminada entre os empresários do setor”, afirma Daniel Furletti, economista e coordenador sindical do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). Apesar da queda em março, é o quinto mês consecutivo que o indicador permanece acima dos 50 pontos.

O índice foi 6,2 pontos superior à sua média histórica (50 pontos), 5,4 pontos acima do verificado em março de 2018 e o mais elevado para o mês desde 2012 (62,5 pontos). O Iceicon nacional também recuou na comparação com fevereiro (63,3 pontos), marcando 59,8 pontos em março. “O agente econômico tem que estar confiante para investir e, assim, ter a decisão de produzir”, comenta Furletti.

O índice de condições atuais recuou 6,1 pontos entre fevereiro (53,4) e março (47,3), e voltou a ficar abaixo da linha de 50 pontos, evidenciando que as incorporadoras perceberam instabilidade na situação atual dos negócios e da economia estadual. Contudo, o indicador aumentou 2,1 pontos no verificado em março de 2018 (45,2 pontos) e foi o melhor para o mês em sete anos.

O indicador de expectativas dos empresários da construção para os próximos seis meses também caiu frente a fevereiro, em 7 pontos, registrando 60,7 pontos em março. Apesar do recuo, o resultado foi 7,2 pontos superior ao de março de 2018 e o mais elevado para o mês em sete anos.

De acordo com o economista, esse recuo se deve a dois motivos em particular. “O primeiro é a questão política, que não se encontra como o esperado no início do ano. Se, antes, havia um cenário positivo com a definição do governo, hoje, a situação é pior que o esperado e a confiança voltou a diminuir”, explica. Outro motivo para o decréscimo é a espera da reforma da Previdência, que vem gerando debates no governo e que impacta o mercado civil. “A reforma virou sinônimo de desenvolvimento econômico. Por meio dela, o governo pode recuperar o papel de indutor de desenvolvimento e, principalmente, na retomada de obras de infraestrutura, e trazer equilíbrio fiscal”, frisa.

Segundo ele, a reforma previdenciária se tornou uma variável de extrema relevância para o mercado da construção civil, por gerar expectativa de promover equilíbrio nas contas. “A Previdência é demográfica e atuarial e tem que equacionar essas variações. E entender que se passa principalmente por questões técnicas e não políticas”, destaca.

CONSTRUÇÃO

O indicador de atividade da construção registrou 44,6 pontos em fevereiro, decréscimo de 1,4 ponto na comparação com janeiro, que foi de 46, sinalizando retração mais acentuada da atividade. Apesar do recuo, o resultado foi 4,3 pontos superior ao apurado em fevereiro de 2018 (40,3) e o mais elevado para o mês desde 2013 (49).

O indicador de atividade em relação à usual caiu 5,5 pontos na passagem de janeiro (38,4) para fevereiro (32,9) e apontou nível de atividade inferior ao usual para o mês. Em relação a fevereiro de 2018 (28,6), o índice avançou 4,3 pontos e foi o mais alto para o mês em cinco anos.

"O agente econômico tem que estar confiante para investir e, assim, ter a decisão de produzir" - Daniel Furletti, economista e coordenador sindical do Sinduscon-MG
O indicador de evolução do número de empregados aumentou 1,6 ponto frente a janeiro e marcou 42,3 pontos em fevereiro, mostrando queda do emprego. Contudo, o índice cresceu 6,6 pontos na comparação com fevereiro de 2018 e foi o melhor para o mês em cinco anos, mostrando que o recuo do emprego em 2019 foi menos acentuado do que em fevereiro de 2015 a 2018. A sondagem da indústria da construção de Minas Gerais apontou recuo mais intenso da atividade em fevereiro. O indicador de evolução do número de empregados, apesar da pequena melhora em relação a janeiro, continuou abaixo de 50 pontos.

Os empresários da construção esperam, pelo quinto mês consecutivo, avanço do nível de atividade nos próximos seis meses, com índice de 54,5 pontos em março. Contudo, o indicador caiu 6,3 pontos em relação a fevereiro (60,8), após dois meses seguidos de crescimento. O índice avançou 2 pontos frente a março de 2018 e foi o melhor para o mês desde 2013 (54).

O economista destaca o caráter social que a construção civil propõe, ao construir escolas, hospitais, residências e portos, por exemplo. Porém, não está trabalhando no nível esperado. “O mercado da construção não está desempenhando o papel real dele. Entre 2014 e 2018, a construção caiu mais de 20% e está aquém do que deveria produzir”, explica.

FUTURO


Acompanhando a expectativa de elevação da atividade, os empresários da construção projetam aumento das compras de insumos e matérias-primas, conforme índice de 54,5 pontos em março. No entanto, o indicador recuou 4 pontos em relação a fevereiro (58,5), depois de registrar crescimento por dois meses consecutivos. O índice aumentou 3,5 pontos contra março de 2018 (51) e foi o mais elevado para o mês em sete anos.

O indicador de novos empreendimentos e serviços permaneceu, pelo quinto mês sucessivo, acima de 50 pontos, e marcou 54,8 pontos em março. O índice recuou 1,7 ponto frente a fevereiro (56,5), mas avançou 2,3 pontos na comparação com março de 2018 (52,5), sendo o maior para o mês desde 2013 (56).

O indicador de evolução do número de empregados (56,1 pontos) mostrou, pelo quarto mês seguido, que os construtores esperam elevação das contratações no curto prazo. Porém, o índice recuou 2,9 pontos na passagem de fevereiro (59 pontos) para março (56,1 pontos), interrompendo uma sequência de cinco aumentos. O resultado foi 4,4 pontos superior ao de março de 2018 (51,7 pontos) e o mais elevado para o mês desde 2013 (57,3 pontos).

“Após significativo aumento ocorrido em fevereiro, o índice de intenção de investimento recuou 11 pontos em março (36,4 pontos), ficando próximo do patamar verificado em janeiro (36,6 pontos). Apesar da queda, o indicador foi o maior para março em cinco anos”, conclui Daniel Furletti.

* Estagiário sob a supervisão da subeditora Elizabeth Colares

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