Ocupação planejada

Empresa desenvolve estudos para traçar realidade hídrica do vetor Sul da Grande BH

Iniciativa faz parte da estratégia de criar espaço sustentável para 150 mil habitantes

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postado em 09/06/2019 13:10 / atualizado em 09/06/2019 13:30 Elian Guimarães /Estado de Minas
Perspectiva da construtora é de ocupação sustentável da área para até cinco décadas - Csul/Divulgação Perspectiva da construtora é de ocupação sustentável da área para até cinco décadas

A região da Lagoa dos Ingleses, na divisa de Nova Lima e Belo Horizonte, receberá até 2020 os resultados do estudo que traçará a realidade hídrica do vetor Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte, permitindo amplo conhecimento das águas subterrâneas, tanto para o uso racional dos recursos quanto para sua preservação.

O “Projeto de monitoramento e pesquisa hidrogeológica”, iniciativa da CSul Desenvolvimento Urbano, empresa que detém 27 milhões de metros quadrados de área no entorno da Lagoa dos Ingleses, é parte de propósito maior, que é a criação de um espaço urbano planejado e sustentável para 150 mil habitantes, com perspectiva de prevenir e monitorar a ocupação por meio do planejamento a longo prazo. O empreendimento tem a sustentabilidade como principal norteadora das ações.

Contempla índice de área verde entre 92m² e 129m² por habitante, ou seja, sete vezes maior que o de Belo Horizonte, que é de 18m², explica Maury Fonseca Bastos, presidente da CSul. “É a primeira vez que o setor privado no Brasil planeja a ocupação populacional de um espaço, com perspectivas para até cinco décadas, respeitando suas riquezas naturais.”

Inspirados pelos conceitos do novo urbanismo, a proposta da CSul é criar em Nova Lima, no Vetor Sul da RMBH, um lugar verdadeiramente planejado para as pessoas, onde o verde é parte da vida cotidiana e o “processo de urbanização promova a qualidade de vida dos moradores de forma inovadora, integral, coletiva e sustentável”.

AQUÍFEROS

Neste ano, foram iniciadas as obras de perfuração de quatro poços tubulares e oito piezômetros permitindo a coleta de dados primários do aquífero Cauê e demais aquíferos existentes na área, bem como a existência ou não de interferências em outros recursos hídricos regionais.

“Quando os poços tubulares forem perfurados, será feito um teste de bombeamento em um mês e meio, 24 horas por dia e, em paralelo, a equipe vai acompanhar também o comportamento da rede superficial e subterrânea que já é monitorada mensalmente. Com a obtenção dos dados primários gerados pelo ensaio prolongado será possível alimentar o modelo hidrogeológico numérico para responder questionamentos como: o bombeamento causou impacto em alguma nascente? Como o nível d’água dos poços de monitoramento está variando naquele entorno? Quanto de água subterrânea será possível captar sem causar impacto? Com isso, será possível avaliar possíveis impactos ou não nessa rede hídrica do entorno, e, se houver, será possível propor medidas de mitigação”, explica Maurício Bertachini, Hidrogeólogo da MDGEO e responsável técnico pela pesquisa hidrogeológica realizada pela CSul.

Em agosto de 2016, foi produzido um inventário e um cadastro das nascentes, cursos d’água e poços da região. A partir daí, essa rede de recursos hídricos, constituída de 23 pontos, vem sendo monitorada mensalmente com medição de vazão, nível d’água e análise de parâmetros como temperatura do ar e da água, condutividade elétrica e pH, entre outros.

Em outubro do mesmo ano, a CSul implantou em sua sede um pluviógrafo automatizado. “Ele mede a pluviometria na região em tempo real - o quanto choveu no período, hora a hora, armazenando os dados. Assim, uma vez por mês, esses dados são descarregados e alimentam uma planilha que contém o histórico de pluviometria dessa região. Esses registros serão essenciais para que o estudo hidrogeológico em curso seja o mais fiel possível em relação às particularidades da região a que ele se refere”, conta Fabíola Carvalhido, gerente de urbanismo e licenciamento ambiental da empresa. “A ideia é registrar a realidade atual e estudar cenários futuros, não tendo chance de causar impacto em quem já está instalado e usa o recurso atualmente”.

Ao final do processo, todos os dados coletados pelo monitoramento da rede de recursos hídricos serão usados na elaboração de um modelo numérico matemático que vai retratar esse aquífero (Cauê) e a hidrogeologia da região.

A gerente da CSul conta que o resultado final do projeto de pesquisa e monitoramento será fornecido à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), uma ferramenta de gestão dos recursos hídricos no entorno da área do empreendimento. Esse modelo numérico permitirá análise de cenários de desenvolvimento urbano dessa região em relação às demandas por consumo de água e proporcionarão ao órgão ambiental a segurança hídrica no momento de concessão de outorgas de uso de recursos hídricos para o empreendimento Centralidade Sul ou outros previstos para aquela localidade.

Operação de fiscalização

No segundo semestre de 2017, áreas de mineradoras, barragens, matas ciliares e empreendimentos ao longo da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas no Quadrilátero Ferrífero foram alvo de uma grande operação integrada de fiscalização que envolveu equipes do governo do estado e órgãos federais, acompanhada pelo Estado de Minas. Ao todo, foram lançados 70 agentes divididos em 17 equipes coordenadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Essas áreas coincidem com o trecho percorrido e que foi alvo de denúncias ambientais pela expedição Rio das Velhas: Te Quero Vivo, promovida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH-Velhas). Os fiscais ingressaram em 54 alvos previamente selecionados nos municípios de Nova Lima, Rio Acima, Itabirito e Ouro Preto. Ao todo, mais de R$ 260 mil foram aplicados em multas em 18 locais com irregularidades.

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