Produtividade e eficiência

Metodologia BIM ganha força no mercado da construção

Ações visam à redução de custos e menor tempo de obras

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 15/07/2019 13:50 / atualizado em 15/07/2019 13:57 José Alberto Rodrigues* /Estado de Minas
"Precisamos investir no assunto para que a cadeia possa trabalhar com cada vez mais eficiência e usufruir dos seus benefícios em sua plenitude" - Bruno Marciano, presidente da Abrasip-MG

O mercado da construção civil vem sendo espaço para diversas discussões sobre os caminhos a serem enfrentados na idealização de empreendimentos. Diante da crise econômica que estagnou o mercado e os avanços tecnológicos, empresários buscam, cada vez mais, ferramentas e sistemas que gerem redução de tempo e custos de obras. Um desses modelos é o BIM (Building Information Modeling ou Modelagem de Informações da Construção, em português).

O BIM vem revolucionando as soluções construtivas em serviços e produtos, já que possibilitará maior produtividade, eficiência e sustentabilidade. “Por meio do BIM, conseguimos simular o empreendimento com informações reais desde o estudo de viabilidade do mesmo, passando pela construção virtual, em que é possível fazer toda a simulação construtiva, conforme o padrão executivo da construtora/incorporadora”, explica Bruno Marciano, presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais de Minas Gerais (Abrasip-MG). Além de elaborar o planejamento físico com a máxima riqueza de detalhes e informações, estima com precisão o custo da obra e permite fazer todo o monitoramento dos sistemas que compõem o empreendimento.

O fomento nos debates sobre a plataforma foi tema de um seminário em Belo Horizonte. Com o tema “BIM na construção 4.0 - Onde estamos e aonde queremos chegar”, o SeBIM MG levantou debates em torno das transformações pelas quais vem passando o mercado de BIM, que está se consolidando como uma das principais ferramentas utilizadas na engenharia e arquitetura, porém ainda com alguns desafios no Brasil.

De acordo com Bruno Marciano, o seminário foi uma oportunidade de elevar as discussões sobre os processos na hora da concepção dos projetos. “Em se tratando de um tema multidisciplinar, que é relativamente novo e altamente impactante para todos os agentes da nossa indústria e também para o poder público, é importantíssimo e fundamental termos muitos seminários, fóruns, comissões, apoio da academia e dos órgãos públicos, objetivando a promoção e um melhor preparo para a utilização eficiente da nova tecnologia”, pontua.

Discussões que só serão efetivadas quando o construtor mudar sua forma de tratar projeto e planejamento, na visão de Alexandre Nagazawa, arquiteto urbanista e sócio-fundador da Bloc Arquitetura e Empreendimentos. “Acredito que o BIM veio para romper com uma barreira enorme existente no planejamento de obras aqui no Brasil”. Segundo ele, uma vez que se avança tecnologicamente com as ferramentas de projeto há a evolução também de toda a cadeia da construção. “Com o BIM, as incompatibilidades são sanadas no ambiente virtual, com significativa facilidade de visualização e identificação automática por meio dos softwares”, disse.

O evento foi promovido pela Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais (Abrasip-MG), em conjunto com a Câmara Brasileira de BIM, o Sebrae e o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). Para Bruno Marciano, essas oportunidades de debates possibilitam uma noção mais ampla para diretores e presidentes de empresas que não estão familiarizados com o processo. “A implantação da metodologia BIM, deve ser parte do planejamento estratégico das empresas, já que ele vai impactar de forma estrutural nos processos da organização, nos planejamentos, e na forma como as pessoas trabalham e se relacionam. É uma mudança de paradigma nunca vista antes, que demandará uma mudança de mindset”, salienta.

O presidente da Abrasip vê o BIM como um investimento que deve ser estimulado no mercado de maneira mais eficiente. “Entendo que o BIM é uma metodologia que nos habilitará para o futuro que já bate à nossa porta. É questão de sobrevivência. E por isso precisamos investir no assunto para que a cadeia possa trabalhar com cada vez mais eficiência e usufruir dos seus benefícios em sua plenitude”, destaca.

DESENVOLVIMENTO


Alexandre Nagazawa ressalta que um projeto em BIM não é um simples modelo 3D. “O modelo é uma verdadeira construção, só que virtual. Cada elemento construído tem uma informação. Um pilar tem nome, volume, quantitativos diversos. Uma porta tem marca, tamanho, número do andar etc. É um grande banco de dados erguido virtualmente na forma de edifício”, conta. Com um projeto feito na plataforma é possível ter um total controle dos elementos, quantitativos e interferências entre eles. “É uma poderosa e versátil ferramenta de planejamento para qualquer tipo e tamanho de obra.”

Entre as vantagens, o arquiteto cita pontos como maior planejamento, controle de custos, medições, compatibilização, modificações e orçamento dinâmico, feitos de maneira muito mais detalhada e certeira, contribuindo assim com a redução de desperdício, gerando economia e segurança para construtores, além de melhorar enormemente a qualidade do produto construído. “Em projetos que temos desenvolvido em nosso escritório, já aferimos quase 5% de redução de custo direto, comparando o orçamento inicial de uma obra com o orçamento feito após a transformação e compatibilização toda em BIM”, pontua.

Três perguntas para...

Edison Tateishi - Diretor de operações e de engenharia da Lafaete


1) De que maneira a tecnologia pode interferir na economia da obra?


A tecnologia pode interferir de maneira muito significativa na economia da obra, à medida que as simulações de alternativas são muito mais ágeis e já apontam o custo de cada uma delas. Por isso, fica evidente que chegaremos muito mais rapidamente à decisão do melhor custo/benefício dos projetos e que os erros serão minimizados por um melhor detalhamento de compatibilização de projetos.

2) Como o BIM pode mudar as configurações de um programa como o Minha casa, minha vida?

Creio que o BIM traz a agilidade e a transparência que estavam faltando em diversas áreas das empresas, como projeto, orçamento, suprimentos e almoxarifado, entre outros. Essa ferramenta tem potencial para melhorar todas essas áreas e, a partir dela, cada construtora vai ter que se esforçar para alcançar patamares mais altos.

3) Quais as vantagens de ter essa tecnologia na construção de casas populares?

Com a tecnologia vinda da metodologia BIM, abre-se um campo enorme para evolução da construção civil, desde a otimização de processos a produtos mais aderentes aos anseios dos clientes e consumidores. A agilidade com que são feitas atualizações, modificações, compatibilizações de projetos é tão maior que nos processos normais, que conseguimos chegar a produtos e serviços muito mais próximos aos ideais do ponto de vista de quem decide. Temos mais tempo para visualizar as opções em vez de perder tempo com a execução do projeto, ou seja, decidimos melhor, com mais informações. * Estagiário sob a supervisão da editora Teresa Caram

Últimas notícias

ver todas
17 de agosto de 2019
09 de agosto de 2019
04 de agosto de 2019
29 de julho de 2019